A Amnistia Internacional desafia a indústria automóvel

Miguel Lorente     22 March 2019     3 min.
A Amnistia Internacional desafia a indústria automóvel

Segundo a Amnistia Internacional, a sustentabilidade da indústria automóvel não passa apenas pela fabricação de carros elétricos

A organização internacional Amnistia Internacional põe em causa a ética aplicada pela indústria das tecnologias relacionadas com as baterias elétricas e, de forma mais concreta, pelo setor automóvel, no que diz respeito à origem e fabrico dos acumuladores utilizados pelos carros híbridos e elétricos.

A controvérsia coloca como foco principal a origem do material primordial com que se fabricam as baterias, o cobalto extraído na República Democrática do Congo.

Ali, como diferentes organizações e meios de comunicação têm denunciado, a mineração encarregada de extrair este material trabalha em condições que estão longe de ser éticas e seguras. Assim, por exemplo, o trabalho infantil não só é uma realidade, como as condições laborais das crianças e a sua elevada taxa de mortalidade nas próprias minas exigem uma ação global a este respeito.

Partindo de pontos como este, relativos à violação sistemática dos direitos dos trabalhadores, e continuando com outros motivos, como o tráfico de cobalto depois de extraído das minas por empresas que poderiam ser descritas como máfias, a Amnistia Internacional exige à indústria ligada ao fabrico das baterias elétricas um acordo internacional sobre a clareza e a ética na origem dos acumuladores que são construídos com o referido cobalto.

Igualmente, a localização das minas de cobalto, de manganês e de lítio, a dificuldade e o custo da sua extração e os problemas geopolíticos que rodeiam a sua obtenção, dirigem o olhar para os fundos marinhos onde já foram realizadas prospeções mineiras nos leitos, com vista a possíveis novos pontos de extração, o que coloca em alto risco a biodiversidade marinha.

A amplitude da denúncia da Amnistia Internacional

Além disso, dado que a fabricação destas baterias se concentra em países como a China, a Coreia do Sul e o Japão, nações que continuam a apostar na produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis, é paradoxal que, para a sua construção, se libertem grandes quantidades de gases com efeito de estufa, como consequência do uso de eletricidade nas cadeias de montagem.

Por outro lado, embora a legislação nacional de cada país seja diferente, em termos gerais, a Amnistia Internacional denuncia a falta de clareza quanto ao destino final das baterias que já terminaram o seu ciclo de vida útil.

Segundo a organização, pedem um acordo global para que a eliminação, tratamento e reciclagem das baterias seja feita de forma responsável, evitando a descarga descontrolada de substâncias tóxicas que contaminam a terra, o ar e a água.

A bateria responsável segundo a Amnistia Internacional

É por estes motivos que a Amnistia Internacional defende a produção de uma bateria responsável: um acumulador fabricado a partir de uma extração tanto ecológica como respeitadora dos Direitos Humanos, cujo uso seja feito sob o pretexto de eliminar a “pegada de carbono” gerada pelas diferentes indústrias e que, uma vez terminado o uso dos acumuladores, a sua eliminação, tratamento e reciclagem se façam da forma mais sustentável e respeitadora possível.

Comentarios cerrados