Qual polui mais: um carro a diesel ou a gasolina?

Miguel Lorente     6 June 2019     5 min.

A eterna dúvida sobre qual polui mais: um carro a diesel ou um a gasolina, um tema polémico que deve ser abordado a partir de diferentes perspetivas

De facto, a primeira coisa a compreender é que, graças às leis atuais e futuras a favor da conservação e promoção do ar limpo e contra os gases tóxicos e de efeito de estufa, a indústria automóvel teve de desenvolver tecnologia que evite, antes da implementação de cada “norma Euro”, medidas que reduzam o impacto da combustão dos hidrocarbonetos nos motores alimentados a diesel e gasolina.

É por isso que é cada vez mais habitual a inclusão de sistemas como a válvula EGR, os catalisadores, os filtros de partículas ou antipartículas ou a adição de aditivos como o AdBlue aos próprios combustíveis.

Todos eles fazem parte das medidas para mitigar os inexoráveis efeitos da queima de combustíveis fósseis. Como a química ensina no liceu, qualquer combustão gera energia e resíduos. No caso da gasolina ou do gasóleo, geram energia, gases e outras partículas; apenas a energia é útil, e os desperdícios não são senão ameaças para a saúde do planeta e, por conseguinte, dos seres que nele habitamos.

Por isso e pela repercussão mais que evidente, tanto do ponto de vista científico como do que pode constatar o cidadão comum, a necessidade de mitigar os efeitos da queima de qualquer combustível exige medidas cada vez mais contundentes; por isso, neste texto vamos centrar-nos em comparar três campos determinantes sobre se polui mais um carro a diesel ou a gasolina.

Para isso teremos em conta três aspetos: a quantidade de dióxido de carbono, CO2, expelido, a de óxidos de azoto, NOx, e a quantidade de partículas emitidas.

O dióxido de carbono, o grande responsável pelo efeito de estufa

Fazer lume ou a nossa própria respiração gera dióxido de carbono. Processos naturais ou provocados: em qualquer combustão em que intervém o oxigénio e um hidrocarboneto produz-se CO2.

Um gás que, até à revolução industrial, aparecia exclusivamente de forma natural no meio e do qual o próprio ambiente se encarregava e de que necessitava para regenerar, entre outros bens, o imprescindível oxigénio.

Mas, com a evolução tecnológica e a necessidade de alimentar as máquinas com combustíveis, comprovou-se a toxicidade do gás e a repercussão no aquecimento da temperatura global do planeta e as nefastas consequências que isso implica.

A inevitável expulsão de dióxido de carbono num carro de motor tradicional é irremediável. Outros resíduos foram progressivamente contidos até serem eliminados, mas este, por enquanto, não foi possível eliminar.

gases de escapeSegundo os estudos, um carro a gasolina emite uma proporção maior de CO2 entre os resíduos expelidos do que um a diesel. Isto significa que os veículos a gasolina têm maior incidência sobre o aquecimento da atmosfera e sobre a poluição por dióxido de carbono, um gás tóxico e letal para os humanos, entre outros, do que os automóveis a diesel.

O NOx, o inimigo a abater

E se a toxicidade do dióxido de carbono é uma realidade indiscutível, a relação direta entre a quantidade de óxidos de azoto presentes no ambiente e a redução da qualidade de saúde das pessoas também tem sido protagonista e objeto de estudo nos últimos anos.

Por óxidos de azoto entendem-se as diferentes combinações em que o oxigénio e o azoto interagem, formando associações moleculares de elevada toxicidade.

Por isso é tão importante a sua contenção ou eliminação, e é aqui que os diesel têm pior reputação. Porque, de modo natural, os carros a gasolina geram muito menos proporção de NOx. Aliás, são realmente os motores a gasolina alimentados a GPL ou GNC os que menos óxido de azoto produzem, até 80% menos que os a gasolina no caso dos carros bi-fuel de GNC, e até 15% menos de CO2 também do que as mecânicas a gasolina.

Para atenuar a sua expulsão, um grande número de carros a diesel de nova geração utiliza AdBlue em conjunto com o combustível, o que possibilita a neutralização do NOx antes de sair para a atmosfera.

AdBlue

Partículas sólidas e líquidas, em vias de extinção

Na queima de combustíveis fósseis produzem-se partículas sólidas ou líquidas: são moléculas geradas na combustão ou que não foram queimadas e, por isso, são expelidas pelos gases de escape.

Os citados filtros de partículas, também conhecidos como filtros antipartículas, estão cada vez mais difundidos, pois comprovou-se que a sua instalação nos sistemas de escape mitiga e chega mesmo a reter por completo a sua expulsão. Primeiro apareceram os filtros de partículas nos veículos a gasóleo e, pouco a pouco, foram-se incorporando até estarem também presentes como filtros antipartículas nos carros novos a gasolina.

Filtro de partículasO seu armazenamento nestes filtros pode resolver-se através da própria regeneração do filtro de partículas, de forma autónoma, ou eliminados manualmente por especialistas mecânicos.

A proporção de partículas expelidas pelos carros a diesel é maior do que a gerada nos motores a gasolina; por isso, os carros a diesel levam desvantagem neste aspeto.

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