Teste ao Opel Crossland X 1.2T 110 CV: fiel aos seus princípios

Javier López    @jlopezbryan96    27 September 2019     8 min.
Teste ao Opel Crossland X 1.2T 110 CV: fiel aos seus princípios

Desta vez pusemos à prova o Opel Crossland X, um SUV que nasce da mão da PSA mas que se mantém fiel às suas raízes alemãs.

Prueba Opel Crossland X10

O segmento dos SUV encontra-se atualmente sobrelotado, razão pela qual algumas marcas decidiram unir forças para oferecer dois produtos com a mesma raiz mas uma essência diferente. Nesta situação encontra-se o Opel Crossland X, protagonista do nosso teste e um dos primeiros resultados da união entre a casa alemã e o Grupo PSA. Esta aliança levou muitos apaixonados pelo Opel a sentirem-se ameaçados pela hegemonia das marcas francesas, que poderiam modificar o carácter natural dos membros da marca alemã.

Com esta premissa, decidimos pôr à prova o Opel Crossland X equipado com o motor 1.2 turbo de 110 CV e caixa automática. Porquê? A resposta é muito simples: queríamos comprovar quanto da PSA há neste SUV teutónico e quanto da essência do Opel continua intacta, ou se se produziu um harmonioso casamento entre as duas empresas.

Um design sóbrio mas moderno

Apesar da clara influência do grupo francês, o Opel conseguiu imprimir no Crossland X o seu selo de identidade. Como bom veículo alemão, deparamo-nos com uma estética em geral sóbria e sem grandes exibicionismos, mas suficientemente atraente para se destacar no segmento dos B-SUV.

Prueba Opel Crossland X28

Na frente, roubam todo o protagonismo dois faróis equipados com tecnologia LED capazes de conferir ao conjunto doses elevadas de modernidade. A grelha, além de ser dominada pelo logótipo do Opel, também conta com umas asas pretas nas laterais, mas é através do para-choques de plástico que podemos ver refletido o ADN SUV do Crossland X.

Prueba Opel Crossland X24

A lateral destaca-se por uma queda acentuada do teto, o que confere uma certa imagem de SUV coupé, embora mais adiante descubramos se isso afeta o espaço interior. Os farolins traseiros fazem a sua apresentação na retaguarda graças à sua integração com a lateral do Crossland X. É nesta zona que o tom preto e o plástico voltam a fazer aparição através do para-choques, procurando exibir um espírito jovial e aventureiro.

Habitáculo arrumado e limpo

Se o Opel Crossland X se destaca, para além da sua sobriedade, é sem dúvida pela arrumação do seu interior. É realmente simples encontrar tudo quando nos sentamos aos comandos deste SUV alemão, independentemente de ser a primeira vez que o conduzimos ou não. Para acentuar ainda mais esta requintada distribuição, a marca certificou-se de equipar o Crossland X com a mais recente tecnologia.

Prueba Opel Crossland X12

A primeira coisa que nos recebe é um volante completamente circular, com um toque agradável e macio. Para além dos diversos comandos que controlam o sistema de infoentretenimento, a nossa unidade de teste apresentava um pormenor pouco habitual neste segmento: o volante aquecido. Atrás dele encontra-se um painel de instrumentos analógico que apresenta de forma muito clara toda a informação imprescindível.

No centro e dominando o tablier, encontramos um ecrã de sete polegadas completamente tátil. O seu comportamento é rápido e fluido, duas características que se conjugam à perfeição com uma distribuição dos menus muito intuitiva. Além disso, também permite ligar o telemóvel através do Apple CarPlay e do Android Auto.

Prueba Opel Crossland X16

Os materiais empregues pela marca do raio para conceber o Crossland X são mais do que corretos. Foi utilizado, em grande parte do habitáculo, couro e plástico macio, deixando apenas algumas zonas mais afastadas revestidas com plásticos duros.

Os bancos dianteiros são amplos e confortáveis, permitindo que dois adultos percorram centenas de quilómetros sem que as costas se ressintam. A boa visibilidade frontal também contribui para esta sensação de conforto, pois não só permite ao condutor vislumbrar melhor tudo o que acontece na estrada, como também faz entrar mais luz no habitáculo.

Prueba Opel Crossland X13

No entanto, os lugares traseiros são um pouco mais apertados, sobretudo se os ocupantes forem de estatura elevada. Isto deve-se à acentuada queda do teto que, embora ofereça uma estética mais atraente, prejudica a habitabilidade traseira. Desconsiderando esta pouca altura entre a cabeça e o teto, encontramos um banco confortável e amplo, com um generoso espaço para as pernas, mas com um lugar central estreito e com o encosto demasiado inclinado para a frente.

O Opel Crossland X oferece uma mala com capacidade de 410 litros, suficiente para transportar toda a nossa bagagem. A boca de carga é praticamente plana e as suas dimensões regulares ajudam a que arrumar a bagagem seja muito mais simples. Mas, procurando não ser picuinhas, encontrei um senão: o tabuleiro não cobre todo o espaço da mala, pelo que, se pousarmos algum objeto, é muito provável que este deslize para o fundo, sobretudo se se tratar de uma peça de roupa.

100% Opel

Bem, mas deixemos de lado estes pequenos detalhes e concentremo-nos num aspeto muito mais relevante: a dinâmica do Opel Crossland X. A unidade de teste estava equipada com o propulsor 1.2 turbo de três cilindros capaz de produzir 110 CV e 205 Nm de binário, valores geridos por uma caixa automática de seis velocidades do tipo conversor de binário.

Prueba Opel Crossland X21

Trata-se de um propulsor suave e cumpridor, capaz de deslocar o SUV alemão com desembaraço em qualquer terreno. É verdade que, em ralenti, se podem sentir certas vibrações devido à sua condição de tricilíndrico, mas é algo que rapidamente fica compensado por um bom isolamento acústico que se nota em praticamente qualquer situação.

Os 110 CV são atingidos às 5.500 rpm, enquanto os 205 Nm de binário surgem a apenas 1.500 rpm. Isto faz com que sintamos um impulso contundente nos primeiros passos do conta-rotações, mas é uma sensação que rapidamente esmorece, provocando um comportamento algo insípido do motor na zona intermédia; por outras palavras, o Opel Crossland X equipado com este propulsor sente-se confortável a baixas rotações, uma vez que também não é um carro que nos convide a levá-lo a roçar a zona vermelha.

Prueba Opel Crossland X18

Mas, como foi trabalhado o chassis do SUV do Opel depois da chegada do Grupo PSA? A verdade é que devo felicitar os engenheiros da casa alemã. Apesar das minhas suspeitas de que o Crossland X seria um veículo muito mais macio e frágil, devo reconhecer que de todo não é assim. A afinação da suspensão é firme, mas não incómoda, permitindo que os balanços da carroçaria não sejam muito acentuados, embora se façam notar se forçarmos demasiado a trajetória na curva.

A direção é mais precisa do que se possa imaginar, tem um peso adequado mas falta-lhe um pouco mais de comunicação. No entanto, a caixa automática prejudica o conjunto e explico-me. Em autoestrada, o Crossland X sente-se muito confortável depois de a caixa engatar a sexta, mas quando lhe exigimos uma redução para efetuar alguma ultrapassagem, faz-no com lentidão e parcimónia; por outro lado, na cidade, um dos principais terrenos do SUV teutónico, sente-se desajeitado e provoca solavancos mais do que uma vez, sensação acompanhada por um ligeiro patinar.

Prueba Opel Crossland X20

Quando tentamos uma condução um pouco mais dinâmica, a caixa continua a não acompanhar, embora o chassis e a afinação geral façam com que o Crossland X se sinta confortável numa estrada sinuosa, onde experimentaremos um certo subviragem, mas que é muito fácil de corrigir. Os balanços não são demasiado exagerados e é fácil fazer mudanças de apoio com grande desenvoltura, o que faz com que o SUV do Opel apresente um comportamento muito correto em praticamente qualquer situação.

Na cidade, o Crossland X move-se com destreza graças às suas dimensões não demasiado volumosas e a uma visibilidade frontal francamente boa. A direção torna-se mais leve a baixa velocidade e o seu amplo raio de viragem permite-nos realizar manobras com grande facilidade, embora a visibilidade traseira, um pouco mais limitada, possa dificultar o estacionamento. Neste ambiente é fácil constatar que o consumo médio ronda os 8 litros/100 quilómetros.

Na autoestrada, as sensações também estão à altura da casa que o acolhe, pois o Crossland X permite-nos percorrer grandes distâncias com total conforto. Atingir os 120 km/h e efetuar ultrapassagens é simples graças à resposta enérgica do propulsor 1.2 turbo a baixas rotações. Neste tipo de vias, verificamos que o consumo médio se mantém em cerca de 6,2 litros/100 quilómetros.

Conclusão

O Opel Crossland X conquistou o meu respeito por diversos motivos. Um deles por apresentar uma estética agradável e moderna; outro por oferecer um habitáculo tecnológico e sóbrio, em partes iguais; e, por último, por manter-se fiel aos princípios da marca, oferecendo um comportamento dinâmico satisfatório, embora acompanhado por certas desvantagens próprias dos SUV.

Prueba Opel Crossland X31

Com um preço de partida de 16.128 euros, o Crossland X posiciona-se num ponto intermédio dos SUV urbanos. É verdade que o preço da nossa unidade de teste ascendia até aos 20.070 euros, um valor que parece um pouco elevado mas que podemos reduzir se prescindirmos de certos elementos, como a caixa automática, uma opção que não encaixa muito bem no conjunto que o SUV teutónico oferece.

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