Os 18 Porsche que demonstram quem é o “rei” das 24 Horas de Le Mans
Porsche é o fabricante de automóveis que mais vezes venceu as 24 Horas de Le Mans.
Porsche e Le Mans caminham de mãos dadas praticamente desde o início. O fabricante alemão pode orgulhar-se de ser o que mais vezes venceu nesta exigente prova francesa, nada menos que 18 vezes desde a primeira vitória em 1970, graças aos bem-sucedidos modelos de competição que detalhamos a seguir.
1. Porsche 917 KH – vencedor em 1970 e 1971

PORSCHE 917K (1970)
O Porsche 917 entrou para a história como um automóvel de culto e um dos carros de corrida mais apreciados pelos aficionados. A sua icónica beleza contrastava com o seu lendário carácter, fruto da sua grande potência e leveza.
O 917K foi um sucesso imediato e, em 1970, venceu sete das oito provas em que participou, incluindo Le Mans. Este modelo teve a honra de proporcionar a primeira vitória absoluta da Porsche nas 24 Horas de Le Mans, com Hans Hermann e Richard Attwood ao volante.

Porsche 917 K (1971)
Em 1971 melhorou-se a aerodinâmica com duas barbatanas verticais na traseira. E algumas unidades tinham um chassis mais leve, de magnésio. O 917 LH de Rodríguez/Olivier conquistou a pole com um tempo de 3:13.90 minutos, um recorde que nunca foi batido antes de, em 1990, se colocarem chicanes na reta de Hunaudières. Em 1971, o 917 KH conseguiu um recorde em corrida de 397 voltas e uma distância de 5.335,313 km, uma marca que demorou quase 40 anos a ser batida.
Características técnicas do 917 KH
- Chassis multitubular de alumínio (magnésio no 71), carroçaria de fibra de vidro.
- Motor 12 cilindros boxer arrefecido a ar, 4.5 ou 4.9 litros, até 441 kW (600 CV).
- Caixa manual de 5 velocidades.
- Peso mínimo de 800 kg.
- Comprimento 4,12 m; largura 1,98 m; altura 0,98 m.
- Velocidade máxima de 362 km/h.
2. Porsche 936, vencedor em 1976, 1977 e 1981

Após os bons resultados dos 908 com motor turbo, em 1975, a Porsche decidiu criar um novo protótipo, o Porsche 936 de 1976, para participar em corridas de resistência e em Le Mans. O 936 utilizava o motor do Porsche 935, do Grupo 5, um carro da categoria GT baseado num 911. Este seis cilindros boxer de alumínio, arrefecido a ar e turboalimentado, tinha apenas 2.142 cc de cilindrada, para equiparar-se ao handicap 1.4 do regulamento, no limite de 3 litros atmosféricos dos protótipos.

PORSCHE 936 (1977)
Só foram produzidos três chassis deste carro e, curiosamente, um venceu Le Mans em 1976, outro em 1977 e o terceiro em 1981, nas três ocasiões com o piloto belga Jackie Ickx ao volante. Com este modelo a Porsche demonstrou que os motores turboalimentados eram o futuro e podiam superar em eficácia, rendimento e consumo os blocos de 3.0 litros atmosféricos provenientes da Fórmula 1.

PORSCHE 936 (1981)
Características técnicas do 936
- Chassis multitubular de alumínio, carroçaria de fibra de vidro.
- Motor 6 cilindros boxer turbo arrefecido a ar, 2.1 litros, até 455 kW (620 CV).
- Caixa manual de 5 velocidades.
- Peso mínimo de 700 kg.
- Comprimento 4,96 m; largura 1,92 m; altura 1,27 m.
- Velocidade máxima de 350 km/h.
3. Porsche 935 K3, vencedor em 1979
O Porsche 935 foi criado em 1976 para competir no Mundial de Marcas da FIA, onde os protótipos não pontuavam. Tratava-se de um Grupo 5, categoria de GT que permitia mais evolução, desenvolvido sobre a base de um Porsche 930 Carrera Turbo, de 1974.

PORSCHE 935 K3 (1979)
Os 935 eram facilmente reconhecíveis pela sua largura, o grande aerofólio e o nariz plano com os faróis recolocados. Tinha um motor 6 cilindros boxer turbo de 3.0 litros que debitava cerca de 600 CV nas primeiras versões.
Durante a segunda metade dos anos 70 e início dos anos 80, o 935 dominou as corridas de resistência em todo o mundo. Mas em Le Mans não o tinha tão fácil, ao competir contra os protótipos. Em 1979 participaram quinze unidades do 935 em Le Mans e três delas ocuparam o pódio. Quem levou a melhor foi o 935 K3 da equipa Kremer, pilotado por Klaus Ludwig e pelos irmãos Don e Bill Whittington.
Características técnicas do 935 K3
- Chassis monocasco de aço, carroçaria de fibra de vidro e kevlar.
- Motor 6 cilindros boxer biturbo arrefecido a ar, 3.2 litros, 550 kW (750 CV).
- Caixa manual de 5 velocidades.
- Peso mínimo de 1.025 kg.
- Comprimento 4,82 m; largura 1,98 m; altura 1,15 m.
- Velocidade máxima de 350 km/h.
4. Porsche 956, vencedor em 1982, 1983, 1984 e 1985

PORSCHE 956 (1982)
A nova categoria Grupo C modernizou de um só golpe os carros e marcou o início de uma segunda idade de ouro do Campeonato do Mundo de Resistência e das 24 Horas de Le Mans, com carros extremamente rápidos, com efeito de solo e uma imagem espetacular e futurista. A Porsche criou o 956 para esta nova categoria e marcou uma época gloriosa, conquistando o campeonato e a vitória em Le Mans nas quatro temporadas em que esteve em atividade.
As chaves do seu sucesso eram o seu comportamento eficaz e o motor 6 cilindros boxer turbo de 2.65 litros (testado um ano antes no 936), que rendia 630 CV com um consumo de combustível muito baixo. Em 1982, três 956 ocuparam os três lugares do pódio na mesma ordem dos seus números, com o número 1 de Ickx e Bell em primeiro lugar.

PORSCHE 956 (1983)
O sucesso da temporada de 1982 levou todas as equipas privadas a quererem um 956 e, em 1983, a grelha estava cheia destes carros, cuja superioridade técnica era esmagadora. Na meta da edição de 1983 das 24 Horas de Le Mans ocuparam as primeiras oito posições. A vitória decidiu-se entre dois carros da equipa oficial Rothmans-Porsche, levando a melhor a unidade pilotada por Al Holbert, Hurley Haywood e Vern Schuppan, apesar de uma última volta com sobreaquecimento.

PORSCHE 956 (1984-1985)
Em 1984, a Porsche esteve representada pelas equipas cliente. A equipa Joest, com Klaus Ludwig e Henry Pescarolo como pilotos, conquistou a vitória… e outros seis 956 seguiram-nos na classificação no final da corrida.
Em 1985, a Porsche já começou a trabalhar com os 962C da equipa oficial, antecipando-se dois anos à regulamentação, mas em Le Mans voltou a vencer o mesmo 956 da Team Joest, com Klaus Ludwig, Paolo Barilla e John Winter como pilotos.
Características técnicas do 956
- Chassis monocasco de alumínio dianteiro e subchassis traseiro, carroçaria de fibra de vidro e kevlar.
- Motor 6 cilindros boxer turbo arrefecido a ar, 2.65 litros, até 463 kW (630 CV).
- Caixa manual de 5 velocidades.
- Peso mínimo de 840 kg.
- Comprimento 4,77 m; largura 1,99 m; altura 1,03 m.
- Velocidade máxima de 372 km/h.
5. Porsche 962C, vencedor em 1986, 1987 e 1994

PORSCHE 962C (1986)
O Porsche 962C tinha mais 12 cm de distância entre eixos em relação ao 956, para recuar a posição dos pedais no carro e que os pés do piloto ficassem atrás do eixo dianteiro. Também se melhorou a segurança com uma nova gaiola antirrotação. Este modelo começou a correr na América do Norte no campeonato IMSA de 1984, onde somou quatro vitórias.
Em 1985 conquistou o seu primeiro pódio em Le Mans, enquanto na IMSA varreu os seus adversários. E é que o 962C vencia em todo o tipo de corridas, chegando a somar quatro vitórias nas 24 Horas de Daytona e quatro nas 12 Horas de Sebring. As 24 Horas de Le Mans não lhe resistiram e, em 1986, chegou o seu momento. Fê-lo com um duplo. Venceu a equipa oficial da Porsche, com Al Holbert, Derek Bell e Hans-Joachim Stuck, à frente do 962C de Oscar Larrauri, Joël Gouhier e do espanhol Jesús Pareja. Em 1987 voltaria a vencer o mesmo trio da Porsche, desta vez com mais oposição dos Jaguar e com um motor evoluído de 2.9 litros e 680 CV de potência.

PORSCHE 962C (1987)
O Porsche 962C continuou a competir e a vencer em todo o tipo de campeonatos e corridas de resistência até ao final da década de 80. E o destino ainda lhe reservava mais uma vitória em Le Mans. Foi em 1994, dez anos depois de ter sido criado, quando o preparador Dauer Racing desenhou uma versão de estrada do 962C que pôde ser homologada na categoria GT1. Gerido em corrida pela equipa Joest, com a ajuda da Porsche e de pilotos experientes ao volante como Yannick Dalmas, Hurley Haywood e Mauro Baldi, impôs-se em Le Mans perante a concorrência da Toyota, dando à Porsche a sua 13.ª vitória.

PORSCHE Dauer 962C (1994)
Características técnicas do 962C
- Chassis monocasco de alumínio dianteiro e subchassis traseiro, carroçaria de fibra de vidro e kevlar.
- Motor 6 cilindros boxer biturbo arrefecido a ar ou a água, 2.65, 2.9 e 3.0 litros, até 500 kW (680 CV).
- Caixa manual de 5 velocidades.
- Peso mínimo de 840 kg.
- Comprimento 4,77 m; largura 1,99 m; altura 1,03 m.
- Velocidade máxima de 370 km/h.
6. WSC Spyder, vencedor em 1996 e 1997

PORSCHE TWR Spyder (1996)
Com o desaparecimento dos protótipos do Grupo C, a Porsche concentrou os seus esforços no desenvolvimento de carros competitivos para as categorias GT2 e GT1. Em paralelo, em meados dos anos 90, associou-se à TWR para criar um veículo aberto dentro da classe LMP1, reservada aos protótipos. O chassis da TWR recebeu um motor de 6 cilindros boxer biturbo arrefecido a água (derivado do 962C), que debitava cerca de 580 CV devido às restrições.

Porsche TWR Spyder (1997)
O resultado não podia ter sido melhor e esta combinação triunfou dois anos seguidos nas 24 Horas de Le Mans, com a equipa Joest Racing. Em 1996 venceu com o trio Manuel Reuter, Davy Jones e Alexander Wurz, seguido dos Porsche 911 GT1 que ganharam a categoria LM GT1. Em 1997, Michele Alboreto conquistou a pole e Tom Kristensen a volta mais rápida da corrida. Na prova, a regularidade do Joest-Porsche de Alboreto, Johansson e Kristensen deu-lhes a vitória, enquanto os GT1 ficavam pelo caminho. Foi a primeira vitória de “Mr. Le Mans”, Tom Kristensen, que ao longo da sua carreira venceu mais oito vezes nesta mítica prova.
Características técnicas do WSC Spyder
- Chassis sanduíche de fibra de carbono, carroçaria de fibra de carbono.
- Motor 6 cilindros boxer biturbo arrefecido a água, 3.2 litros, até 426 kW (580 CV).
- Caixa manual de 6 velocidades.
- Peso mínimo de 875 kg.
- Velocidade máxima de 325 km/h.
7. Porsche 911 GT1, vencedor em 1998
A categoria LM GT1 estava reservada a desportivos de produção muito evoluídos, dos quais era preciso construir 25 unidades e pelo menos uma tinha de ser homologada para poder circular na estrada. A Porsche tirou o máximo partido do regulamento e criou, em 1996, o 911 GT1. Ostentava detalhes de design de um Porsche 911(993), mas levava nas suas entranhas tudo o que um carro de competição da época precisava, como a carroçaria exterior de fibra de carbono e a colocação do motor em posição central para melhorar a aerodinâmica e a distribuição de pesos. Foi o primeiro Porsche 911 com motor central da história, mas não o último, já que na atual temporada de 2017 o Porsche 911 RSR de competição volta a adotar esta solução.

Porsche 911 GT1 (1998)
O motor era uma evolução do utilizado no bem-sucedido Porsche 962C, convenientemente melhorado para aumentar a eficiência e adaptá-lo à categoria. O 6 cilindros boxer biturbo de 3.2 litros tinha 600 CV. O novo 911 GT1 estreou-se diretamente nos treinos de Le Mans de 1996 e demonstrou a sua competitividade ao ganhar a sua categoria e ficar em segundo lugar absoluto, atrás do TWR-Porsche vencedor.
A vitória deste modelo chegou em 1998, com a versão evoluída GT1-98, que tinha uma carroçaria mais próxima de um protótipo, embora tivesse a sua obrigatória versão de estrada, com a matrícula BB GT 198. A 16.ª vitória da Porsche em Le Mans veio graças à fiabilidade do GT1, graças à qual conseguiu superar os rivais da Toyota e da Mercedes. O 911 GT1 número 26 de Alan McNish, Laurent Aiello e Stéphane Ortelli liderou um duplo que seria histórico, pois a Porsche anunciou logo a seguir a sua retirada oficial como construtor, passando a partir de 1999 a apoiar equipas privadas.
Características técnicas do 911 GT1
- Chassis monocasco de fibra de carbono, carroçaria de fibra de carbono.
- Motor 6 cilindros boxer biturbo arrefecido a água, 3.2 litros, até 404 kW (550 CV).
- Sequencial de 6 velocidades.
- Peso mínimo de 940 kg.
- Comprimento 4,89 m; largura 1,99 m; altura N.D.
- Velocidade máxima de 350 km/h.
8. Porsche 919 Hybrid, vencedor em 2015 e 2016
Depois de mais de dez anos sem um Porsche a lutar pela vitória absoluta em Le Mans, os aficionados sentiam a falta da marca mais bem-sucedida da história da corrida. Dentro da Porsche não houve um único ano em que não se pensasse em regressar a Le Mans de forma oficial, mas as condições não se davam para que o desafio estivesse à altura. A chegada dos protótipos LMP1 híbridos foi, sim, um desafio para a Porsche, com uma categoria ligada à produção de carros de estrada híbridos. Na marca tinham isso muito claro: “A Porsche faz parte de Le Mans e Le Mans faz parte da Porsche. No entanto, ninguém faz este tipo de investimentos por nostalgia; têm de ser rentáveis para o futuro. Pelo que me lembro, nunca houve um regulamento que desse aos engenheiros tanta liberdade e exigisse tanta inovação. A obrigação de construir um híbrido e a fórmula de eficiência representam desafios revolucionários. Orgulho-me de que os nossos engenheiros se tenham atrevido a ir mais longe do que ninguém e os clientes da Porsche beneficiar-se-ão disso“.

Porsche 919 Hybrid (2015)
Depois de anunciar o seu regresso em junho de 2012, a Porsche começou a temporada de 2014, dezasseis anos após a sua última participação oficial. Para isso, criou o inovador Porsche 919 Hybrid, com um compacto motor V4 turbo de 2.0 litros, que impulsiona as rodas traseiras, e um potente motor elétrico, que move as dianteiras. A Porsche inovou com um sistema avançado de dupla recuperação de energia, tanto na travagem como na aceleração.
Em 2014 conquistou o quarto lugar em Le Mans, mais seis pódios e uma vitória no Campeonato do Mundo de Resistência da FIA. O novo 919 Hybrid esteve muito perto de reinar em Le Mans na sua estreia, pois Mark Webber liderava a corrida a falta de apenas duas horas para o fim, quando um problema mecânico o obrigou a abandonar.
Em 2015 foi concebido um carro mais leve e eficiente, enquadrado na subclasse de 8 megajoules, onde é permitido usar mais energia elétrica ao reduzir o consumo de combustível por volta.

Porsche 919 Hybrid (2016)
Em 2015, a Porsche voltou ao topo em Le Mans, com o 919 Hybrid número 19 pilotado por Earl Bamber, Nico Hulkenberg e Nick Tandy. E nessa temporada também ganhou o Campeonato do Mundo de Resistência da FIA. A façanha repetiu-se em 2016, com a vitória em Le Mans e em outras cinco provas do certame. Em 2017 já se conquistaram três pódios antes de chegar a Le Mans, onde o 919 Hybrid procurará o seu lugar na história com uma terceira vitória consecutiva na corrida mais dura do mundo.
Características técnicas do 919 Hybrid
- Chassis monocasco de fibra de carbono, carroçaria de fibra de carbono.
- Motor térmico V4 turbo, 2.0 litros e até 367 kW (500 CV), que move as rodas traseiras; motor elétrico de mais de 300 kW (408 CV), que move as dianteiras.
- KERS e recuperação de energia dos gases de escape; baterias de iões de lítio.
- Caixa sequencial de 7 velocidades.
- Peso mínimo de 875 kg.
- Comprimento 4,65 m; largura 1,90 m; altura 1,05 m.
- Velocidade máxima de 350 km/h.
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