Podemos confiar nos tempos que as marcas publicam no Nürburgring?

Jaime Gomez     27 April 2017     4 min.
Podemos confiar nos tempos que as marcas publicam no Nürburgring?

A veracidade dos recordes alcançados no Nordschleife volta a ser posta em dúvida após suspeitas como a do Lamborghini Huracán Performante.

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O circuito Nürburgring Nordschleife é utilizado pela maioria dos fabricantes para medir as capacidades dinâmicas que oferecem os seus modelos mais recentes. Na última década, o recorde de volta ao traçado bávaro foi reduzido em quase um minuto, um dado que demonstra a grande evolução que os carros sofreram e que desconheceríamos se o “Inferno Verde” não existisse.

Inevitavelmente, o Nürburgring tornou-se o maior ponto de referência para as marcas, que comparam os seus carros entre si, tentando levar o título de “melhor carro do Ring”, mas até que ponto são fiáveis estes tempos?

logo-nurburgringPor exemplo, o Lamborghini Huracán Performante tornou-se há uns meses o veículo de produção mais rápido no “Inferno Verde”, com um tempo de volta de 6 minutos e 52 segundos; esta marca representa uma melhoria de cinco segundos em relação ao antigo recorde: Porsche 918 Spyder.

O Lamborghini Huracán Performante gaba-se de ser o veículo de produção mais rápido, com 6 minutos e 52 segundos. Muitos perguntam-se como é que um superdesportivo de 631 CV ultrapassou tão visivelmente um dos hiperdesportivos mais potentes do mercado: 874 CV. De facto, a relação peso-potência favorece o modelo bávaro (1,87 kg por cavalo de potência) face ao superdesportivo italiano (2,19 kg por cavalo de potência). Logicamente, algo não bate certo…

O problema é que não existem regras comuns para todos os fabricantes na hora de estabelecer um tempo de volta no “Ring”, ou seja, nem todos os carros correm nas mesmas condições e, claro, todos os modelos são modificados em relação às versões de produção. A maioria dos carros que registam os recordes que conhecemos utilizam gaiolas antirrollover, um elemento que melhora a rigidez torsional do veículo e, por conseguinte, a sua dinâmica em curva. Em alguns casos, os fabricantes compensam essa carga (a gaiola) eliminando peso do próprio veículo; o resultado é um carro mais rígido sem qualquer penalização de peso.

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Outro elemento com que as marcas jogam para melhorar o tempo dos seus carros é o tipo de pneu utilizado. Em muitos casos (como no recente recorde do Honda Civic Type R), os compostos são de circuito, oferecendo um nível de aderência muito superior ao dos pneus de estrada, e nem sequer estão disponíveis no mercado para o cidadão comum.

O tipo de pneu e as gaiolas antirrollover são elementos usados pelas marcas para melhorar o desempenho em circuito. A solução mais clara para este problema é que os carros marquem os seus tempos em igualdade de condições e, de preferência, na versão final de produção (sem qualquer tipo de modificação). Neste sentido, o entusiasta e colecionador de Ferraris, James Glickenhaus, propôs um sistema que eliminaria pela raiz todas as dúvidas que oferecem os recordes de volta registados no mítico Nürburgring Nordschleife. Foi isto que disse numa entrevista à Autocar:

“O que proponho é a Glickenhaus Road Cup, um campeonato que se realizaria nas 24 Horas do Nürburgring, depois da qualificação dos carros de corrida. Estas são as regras: o piloto tem de ser o proprietário do veículo, que deve estar matriculado e ser legal para circular na via pública. Começa-se em Colónia e conduz-se até ao Nürburgring com o mesmo jogo de pneus com que se fará a volta rápida no circuito; têm de ser pneus homologados para a estrada, podendo ser substituídos por outros compostos especiais no circuito. Todos conduzem e estabelecem um tempo. Quem for o mais rápido é o vencedor”, afirma o norte-americano.

A verdade é que o sistema de Glickenhaus seria bastante atrativo, mas é muito pouco provável que se concretize e que os fabricantes estejam dispostos a aceitá-lo. Uma pena.

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