Carros com História: NSU Ro 80

Se tens boa memória e lembras que a NSU caracterizou-se mais pelas motos do que pelos carros, a história desta marca, que mais tarde se tornaria um dos pilares do que hoje é Audi, mostra-nos que teve modelos dignos de menção. Um deles, talvez o mais famoso, é o Ro 80; um carro à frente do seu tempo em termos de design, mas que não conseguiu transcender muito devido às falhas do seu sistema de propulsão.
Tinha um estilo futurista, em forma de cunha e com uma grande superfície envidraçada, desenhado por Claus Luthe, mais tarde chefe de designers na BMW. Os engenheiros da NSU queriam que o carro se adaptasse aos novos tempos da economia alemã, em expansão na década de 1960, pelo que o carro foi concebido com bastantes avanços mecânicos para a época, como a suspensão independente nas quatro rodas, a caixa de velocidades semiautomática e os travões de disco.

O modelo foi apresentado no Salão de Frankfurt de 1967, com um motor Wankel de um litro e dois rotores de 115 CV. Em poucos meses, o Ro 80 conquistou a imprensa especializada, sendo eleito Carro do Ano de 1967; o público formava longas listas de espera para o adquirir; a tal ponto que a empresa não conseguiu concluir as entregas da lista senão dois anos depois.
No entanto, enquanto o carro tinha um design que encantava a todos, a parte mecânica começou a deixar muito a desejar. Inicialmente, a mecânica rotativa não se revelou a melhor escolha, já que o motor apresentava graves falhas de design que provocavam um desgaste prematuro. Tentando cortar o problema pela raiz, a empresa teve de substituir motores que não duravam sequer 50.000 quilómetros e, embora estes problemas tenham sido resolvidos em 1970, a NSU já começava a sofrer as consequências das perdas financeiras causadas pelas reparações dos seus Ro 80.

Por aqueles anos, a NSU iniciava o seu percurso como parte da Audi e do Grupo Volkswagen, o que prejudicou o Ro 80, já que foram introduzidas poucas melhorias no carro. No entanto, os utilizadores eram engenhosos e arranjavam forma de contornar os problemas do Wankel; embora em 1970 quase todo o motor tenha sido redesenhado para ganhar durabilidade, alguns optavam por substituí-lo por um motor Ford de quatro cilindros, já que era o único que cabia no pequeno compartimento do Ro 80.
As prestações correspondiam ao preço, já que custava quase o mesmo que um BMW de gama alta. Mas naquela época poucos carros de série atingiam “mais de 180 km/h” como o NSU Ro 80. Em termos de aceleração não era propriamente brilhante: 14 segundos de 0 a 100 km/h, com um peso total de 1.250 quilos, em parte penalizado pela primeira geração do motor Wankel.

Até 1975, pouco mais se fez além de melhorar a suspensão e os travões. Durante esse ano, o Ro 80 sofreu uma remodelação que adotava grupos traseiros maiores e acrescentos de borracha nos para-choques. Em 1976, a NSU começou a pensar em novos motores para o Ro, mas a produção do modelo cessou em abril de 1977, quando Audi decidiu que era tempo de assumir o controlo total da NSU.
Não houve sucessor para o Ro 80. Com o último modelo produzido, terminava também a longa história da NSU como fabricante. No entanto, algo ficou do Ro 80: a tecnologia do motor rotativo despertara a curiosidade dos engenheiros da Audi, que começaram a desenvolver um Audi 100 com motor rotativo, o 871 Wankelengine. Existiram protótipos com este motor, que mais tarde foi posto de lado em favor de motores mais convencionais.

Fonte | Coches Míticos, NSU-Ro 80
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