Comentário sobre Gran Turismo 6

A saga de condução exclusiva da PlayStation mais conhecida celebrou o seu décimo quinto aniversário em 2013. Por isso, o seu estúdio de desenvolvimento, Polyphony Digital, ofereceu uma surpresa aos seus seguidores e não esperou por entrar no catálogo da PS4 para lançar a sua próxima entrega. Gran Turismo 6 tornou-se assim um dos últimos jogos “pesados” da PS3, antes de esta dar lugar à sua consola sucessora.
Como acontece com cada GT, o sexto criou muitas expectativas em torno das suas mudanças em relação ao anterior. O quinto não obteve uma boa crítica generalizada, pelo que os seus seguidores esperavam que o novo corrigisse alguns dos seus defeitos. No entanto, a Polyphony encarregou-se de avisar durante o desenvolvimento que estas falhas seriam corrigidas progressivamente com atualizações sucessivas, estratégia que aprenderam e começaram a aplicar com o GT5.

Gráficos e condução mais realistas
As novidades mais importantes do Gran Turismo 6 começam pela sua componente técnica, que recebe um novo motor de renderização que permite mostrar os gráficos muito mais detalhados e refletir uma iluminação mais realista (exceto se sobre os objetos incidir uma luz intensa, defeito notório sobretudo em determinados cenários onde cria um contraste exagerado de luzes e sombras).
No entanto, o entusiasta do automóvel interessar-se-á ainda mais pelas mudanças no controlo dos veículos. Este foi reproduzido com maior precisão graças à tecnologia que a Polyphony utilizou na recriação do comportamento dos pneus, da suspensão e da aerodinâmica. Para isso contou com a colaboração de fabricantes de componentes de renome como a Yokohama Rubber ou a KW Automotive, que lhe forneceram dados precisos e reais sobre esses parâmetros.

Os efeitos desta tecnologia notam-se numa condução muito mais diferenciada entre os diferentes modelos do jogo (embora diga respeito sobretudo àqueles criados para o GT6 e não tanto aos que provêm de títulos anteriores) e consoante as condições de condução, influenciadas pelo tipo de terreno ou pelo estado do veículo.
Garagem alargada mas com poucas novidades
A física melhorada da condução dos carros acompanha uma modelação mais fiel das suas carroçarias e dos seus interiores. No entanto, os danos não refletem corretamente a intensidade das pancadas e são necessárias demasiadas para passar de amolgadelas ao desprendimento de algumas partes, enquanto a reprodução dos sons dos motores ainda não tem uma qualidade superior à do GT5.

Entre os novos veículos incluídos na garagem virtual do GT6 destacam-se clássicos como o BMW 507 ou o Dino 246 GT, desportivos como o KTM X-Bow R ou o Ford Mustang Boss 302 de 2013, elétricos como o Tesla Model S ou híbridos como o Fisker Karma, ou ainda a atualização dos modelos de competição que participaram nas últimas temporadas de GT3 ou corridas de resistência.
No entanto, onde o Gran Turismo progrediu foi no empenho da Polyphony em introduzir mais novidades recentes da indústria automóvel. O novo Chevrolet Corvette C7 protagonizou vários dos materiais audiovisuais iniciais do jogo, assim como a capa da edição normal. Além disso, o GT6 foi o primeiro videojogo a oferecer aos jogadores o novo BMW M4 Coupé e o protótipo Toyota FT-1 do Salão de Detroit.

Mesmo assim, se compararmos estas novidades com as que outros títulos de condução como Forza Motorsport ou Need for Speed oferecem, o Gran Turismo 6 não sai tão bem visto na sua versão atual, a 1.03. Além disso, continua a sofrer de uma lista de carros composta na sua grande maioria por modelos importados do Gran Turismo 4 e do Gran Turismo 5, ou seja, oferece um número demasiado reduzido de veículos inéditos na saga. A Polyphony declarou, enquanto trabalhava no GT6, que resolveria isso com futuras transferências de conteúdo adicional.
Novos tipos de provas e um modo carreira abreviado
No Gran Turismo 6, a progressão do jogador depende do número de estrelas que este obtém ao completar as diferentes provas do modo carreira. Já não há nível de piloto, nem uma trajetória independente para o modo B-Spec. Tendo em conta que as mencionadas estrelas desbloqueiam um maior número de eventos do que os que abriam as subidas de nível, que a obtenção das licenças exige superar menos exames e de menor dificuldade, e que a IA não representa um grande desafio para o jogador relativamente experiente, esta modalidade de jogo vê reduzida a sua duração.

Para compensar essa brevidade, a Polyphony introduziu no GT6 outros tipos de provas que não existiam na quinta entrega. Vão desde minijogos, como derrubar cones num tempo limitado, passando por explorações lunares, até à célebre subida do Festival de Velocidade de Goodwood, e algumas corridas englobadas no programa Red Bull X Challenge, narrado por Sebastian Vettel e no qual os jogadores têm a possibilidade de conduzir karts e os carros concebidos entre a equipa e a Polyphony Digital, como o X2010 e o X2014.
Infelizmente, estes eventos são superados em pouco tempo e, embora sirvam para tornar mais divertido o avanço no modo carreira, não aumentam significativamente a duração global do modo a solo. Assim, o modo online representa mais uma vez o melhor recurso do jogador para encontrar novos desafios. Este, por agora, tem uma quantidade limitada de modificações em relação ao do GT5, entre as quais se contam as opções adicionais de personalização das salas, assim como para as partilhar com outros jogadores, e novas classes de provas, como corridas com classificação prévia ou desafios de drifting.

Os seguidores do Gran Turismo sentirão falta das concessionárias de carros usados e de colecionadores, esta última implementada na quinta iteração da saga. Em troca, a Polyphony criou no GT6 a nova concessionária de carros recomendados, que propõe alguns modelos com os quais vencer determinadas provas de cada licença. Por fim, o modo fotografia continua a desempenhar um papel importante no jogo e a sua qualidade garantirá que muitos jogadores o procurem para descontrair das corridas e aproveitar os novos gráficos para compor obras fotográficas.
Conclusão
A comunidade de entusiastas do Gran Turismo agradeceu que a Polyphony Digital decidisse preservar a tradição de oferecer dois grandes títulos da franquia em cada PlayStation. Tê-lo na PS3 significa que mais consumidores podem aceder a ele e que iria poder tirar partido das vendas adicionais durante as passadas férias de Natal.

O resultado é um produto tecnicamente muito elaborado na componente visual e na do controlo dos carros, mas que não escapa a novas falhas nos gráficos, devidas sobretudo à iluminação e aos danos, e a outras que repete do GT5, como a proporção insuficiente de veículos inéditos na franquia ou a fraca qualidade dos sons dos motores, bem como um modo a solo com provas variadas, embora de duração breve.
No entanto, a versão atual do Gran Turismo 6, a 1.03, continua distante do que a Polyphony promete acrescentar no futuro em próximas atualizações. Por isso, é possível que a perceção do jogo se torne mais positiva quando forem introduzidas novidades como o editor de circuitos redesenhado ou a importação de dados a partir de um GPS. É que o potencial do GT6 irá desdobrar-se de forma gradual.
O Gran Turismo 6 está à venda para PS3 por um preço recomendado de 69,95 euros na edição normal e 79,95 na Edição Aniversário.
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