O diesel despenca-se: Os condutores espanhóis preferem carros híbridos e a gasolina
Os dados recolhidos pelo Relatório 2018 do Observatório Cetelem do Motor sobre as preferências e o comportamento do consumidor espanhol são conclusivos: os carros híbridos e elétricos ganham posições face ao diesel. O preço continua a ser o critério de maior peso na compra de um carro.
Uma análise ao estudo “Automóvel, 2007 vs 2018, crise e recuperação”, realizado pelo Observatório Cetelem do Motor, permite-nos extrair algumas conclusões interessantes sobre a evolução das matrículas de carros novos e usados em Espanha, assim como as preferências e o comportamento dos consumidores em relação à compra de um carro.
Assim compraram carro os espanhóis em 2017
Durante 2017, o mercado total de carros novos matriculados foi de 53 por cento em operações particulares, 29 por cento em empresas, e 18 por cento em empresas de aluguer.

Entre os que possuem atualmente um carro, 45 por cento são a gasolina e 52 por cento diesel, face a 2 por cento que representa a proporção de híbridos. 30 por cento compraram o seu atual carro num período entre 5 e 10 anos atrás, enquanto 25 por cento o fizeram há mais de 10 anos. 44 por cento adquiriram o seu veículo num concessionário de uma só marca, 35 por cento num de várias marcas, e 10 por cento em compra e venda de segunda mão.
A despesa média que os espanhóis realizaram ao adquirir um carro nos últimos 12 meses foi de 17.155 euros. Entre eles, 33 por cento pagaram à vista, 32 financiaram a compra no concessionário e 29 pediram um empréstimo, quer ao seu banco habitual, quer a uma entidade financeira especializada diferente da da marca.

Quanto aos aspetos mais valorizados na hora de comprar um automóvel, o preço ocupa a primeira posição com 82 por cento, face à segurança, com 78 por cento das menções, e a fiabilidade em segundo lugar, com 63 por cento. Outro dado interessante: se em 2007 36 por cento dos espanhóis inquiridos declaravam utilizar a internet como meio de consulta durante o processo de compra, 10 anos depois esta cifra sobe para 86 por cento. Destes, as páginas web das marcas são citadas por 83 por cento como meio de consulta, e os sites especializados em motores por 47 por cento.
Futuras tendências de compra: mais híbridos, menos diesel
Face aos 13 por cento dos utilizadores inquiridos no estudo de 2017 que manifestaram a intenção de adquirir um carro nos 12 meses seguintes, esta cifra aumenta em 2018 para 51 por cento. Destes, quase 90 por cento declaram que optarão por um carro novo, face aos 11 por cento que pretendem fazê-lo com um carro de ocasião.

O orçamento que os inquiridos destinariam à compra do seu novo carro é de 21.400 euros, mais 25 por cento do que o valor médio de despesa declarado na sua última compra. 68 por cento fá-lo-iam recorrendo a financiamento. E apenas 10 por cento optaria pelo renting, face à compra.

Mas talvez o dado mais interessante seja o interesse que despertam os carros híbridos e elétricos face aos diesel. A intenção de compra destes veículos atinge 36 por cento no total, face aos 26 por cento que declaram que continuariam a considerar os diesel, e aos 37 por cento que optariam por um carro com motor a gasolina.
O carro elétrico para o comprador espanhol: uma questão de autonomia
Quanto ao carro elétrico, 23 por cento dos inquiridos declaram a sua intenção de adquirir um veículo deste tipo nos próximos anos. Mas condicionam a compra de um carro elétrico a três fatores principais: a autonomia, o preço e as possibilidades de carregamento.

Assim, 49 por cento dos inquiridos declaram que estariam dispostos a comprar um carro elétrico se a autonomia estivesse entre 100 e 250 km, enquanto 36 por cento o fariam se se superassem os 250 km. Entre os motivos pelos quais não considerariam a compra de um carro elétrico, menciona-se a autonomia insuficiente em 57 por cento dos casos, o preço elevado em 54 por cento, e a falta de posto de carregamento em 40 por cento.
O mercado de carros de ocasião em Espanha
Outros dados de interesse do estudo realçam a importância que continua a ganhar o mercado de veículos em segunda mão. Em 2017 venderam-se 2.260.371 veículos de ocasião, o valor mais alto dos últimos 10 anos, com um aumento de 14 por cento em relação a 2016. Isto significa que em 10 anos passámos de uma relação de 1,1 entre venda de veículo novo face a usado para um rácio de 1,7.

O que se mantém praticamente sem variação nos últimos anos é a distribuição das vendas de veículos de ocasião segundo a natureza do vendedor. Assim, quase 60 por cento das operações realizam-se entre particulares, face aos 26 por cento que têm lugar nas redes oficiais, e 11 por cento em compra e venda, correspondendo o valor restante a operações de empresas de aluguer.

Por último, continua a aumentar a idade dos carros de segunda mão vendidos durante 2017. Os que ultrapassam os 10 anos de idade representam 57 por cento do total de ligeiros de passageiros usados, face aos 16 por cento com idade compreendida entre os 5 e os 10 anos, que descem percentualmente a favor dos que têm menos de 3 anos, cuja percentagem sobe até 20 por cento.
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