Contacto: Alfa Romeo 4C, informação técnica e impressões de condução

Daniel Valdivielso    @valdi92    30 June 2014     5 min.
Contacto: Alfa Romeo 4C, informação técnica e impressões de condução

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Na primeira parte deste teste, contámos-vos todos os pormenores relativos ao design, tanto exterior como interior do Alfa Romeo 4C.

Neste segundo artigo, vamos desvendar todos os segredos técnicos que este pequeno desportivo esconde, e contar-vos como funcionam quando os colocamos no asfalto. Vamos a isso!

Pormenores técnicos

Tal como vos adiantámos na primeira parte, a base deste Alfa Romeo é o seu chassis central construído em fibra de carbono. A este acoplam-se, aparafusados, outros dois subchassis nas partes dianteira e traseira. Este conjunto compõe a estrutura primária do 4C. Posteriormente, acrescenta-se uma barra antitombamento mesmo atrás da cabeça dos ocupantes, à qual se acopla parte da estrutura do tejadilho. O peso do veículo distribui-se em 38% na parte dianteira e os restantes 62% na parte traseira.

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Outro dos pontos-chave deste veículo tão especial é o seu motor. Falamos do “coração” -ou cuore, como dizem os italianos- do Alfa. Trata-se de um propulsor de 1.748 cc de cilindrada, com uma estrutura de 4 cilindros em linha. A sua taxa de compressão não é especialmente alta (9,5:1), o que joga a favor do seu rendimento atual e de uma possível potenciação num futuro não muito distante.

Com uma pressão máxima de sobrealimentação do seu turbo de 1,5 bar (incluindo a pressão atmosférica), o Alfa Romeo 4C coloca à nossa disposição 240 CV e 350 Nm, valores que permitem a este pequeno desportivo desfrutar de uma das relações peso/potência mais favoráveis do mercado, com um rácio de 3,83 kg/CV. Para nos situarmos, este valor supera o que apresenta o todo-poderoso Audi R8 V8.

O motor está montado logo atrás do habitáculo, em posição central-traseira. Está acoplado a uma caixa de velocidades de dupla embraiagem TCT com seis relações, capaz de realizar as transições entre mudanças de forma praticamente imediata. Eliminaram-se várias funcionalidades presentes noutros modelos, como o botão de Parking ou a função “creeping”, que permitia ao carro começar a mover-se apenas ao largar o travão, emulando o funcionamento de uma transmissão automática de conversor de binário.

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Já referíamos no primeiro artigo que este Alfa disfruta de um design onde se dão as mãos a beleza e a engenharia. É o caso das duas entradas de ar que encontramos nas laterais do veículo. Ambas servem para arrefecer o motor, sendo uma delas a entrada de ar do intercooler e a outra um conduto de arrefecimento dinâmico do turbo.

A alimentação do propulsor é feita através de um sistema de injeção direta que funciona numa gama de pressões que varia entre os 20 e os 200 bar. Outras “iguarias” deste motor são, por exemplo, o bloco totalmente fabricado em alumínio, bem como um termóstato controlado eletronicamente ou um sistema de bomba elétrica para continuar a arrefecer o turbocompressor mesmo depois de desligar o motor.

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A direção não dispõe de qualquer tipo de assistência, o que implica vantagens e inconvenientes, dos quais falaremos mais adiante. Quanto à suspensão, no eixo dianteiro o Alfa conta com um esquema de triângulos sobrepostos, semelhante ao que encontramos nos F1, enquanto na parte traseira é um sistema Multilink que, além disso, nos permite ajustar individualmente tanto a cambagem como a convergência.

Impressões de condução

Chegou o momento de nos sentarmos ao volante para verificar se toda a teoria que vos expliquei acima se traduz numa condução apaixonante, tal como Alfa Romeo sugere. A resposta é um “sim” bem rotundo. O Alfa Romeo colocou na estrada um dos veículos mais apaixonantes, eficazes e desportivos que se podem encontrar atualmente.

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Absolutamente todos os sistemas do carro transmitem ao condutor grandes doses de desportividade, envolvendo o piloto em cada movimento. Para começar, o propulsor é um autêntico torpedo. Basta premir a patilha esquerda duas vezes para passar de uma condução suave a sentir como o pescoço e as costas se afundam no encosto dos bancos.

O som é também digno de menção, porque o Alfa Romeo não deixa indiferente quem o ouve do exterior (com toda uma sinfonia de gorgolejos, estalidos e ressonâncias variadas). Também o desfrutarão os ocupantes do veículo, que serão capazes, apurando o ouvido, de distinguir o som da injeção, da bomba de alta pressão ou da válvula de descarga do turbo.

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A suspensão é extremamente rija, embora não se torne muito desconfortável em marcha. A direção é também um dos pontos mais destacáveis do conjunto, pois, graças à ausência dos filtros mecânicos e eletrónicos a que estamos habituados nos veículos atuais, transmite-nos cada palmo do terreno por onde pisam os pneus com total fidelidade. É muito direta, ligeiramente pesada de manobrar parado, mas muito fácil de controlar em movimento. Convém, contudo, segurar firmemente o volante ao passar em irregularidades, pois a falta de peso no eixo dianteiro pode fazer-nos desviar da trajetória.

O sistema de travagem, composto por discos ventilados e perfurados à frente de 305 mm e pinças fixas Brembo de 4 pistões, consegue parar o carro com uma facilidade louvável (o que não surpreende dado o baixo peso que há que travar). Têm, além disso, um toque muito agradável, pois não são muito assistidos e permitem modular a travagem de forma muito precisa. O limiar de atuação do ABS está calibrado de forma a não entrar a não ser que seja estritamente necessário, evitando prolongar a travagem mais do que o necessário.

Em suma, o Alfa Romeo 4C é um desses desportivos que nos transportam no tempo, que procura o rendimento através da redução de peso, eliminando tudo o que é supérfluo e que filtra as sensações desportivas, algo que, lamentavelmente, se perde um pouco mais a cada dia.

Fonte | Highmotor e Alfa Romeo

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