Teste Suzuki Vitara S: uma alternativa 4x4 aos SUV urbanos mais populares

Yago González Mato     25 May 2018     7 min.
Teste Suzuki Vitara S: uma alternativa 4x4 aos SUV urbanos mais populares

Testámos o Suzuki Vitara S com motor a gasolina 1.4T de 140 CV e sistema Allgrip (4×4).

O Suzuki Vitara S é um carro quase único na sua espécie. O SUV urbano japonês é um dos poucos da sua categoria que oferece um sistema de tração às quatro rodas e que se comporta com bastante dignidade fora do asfalto. Pela forma como funciona a sua tração total, as suas favoráveis cotas off-road e a sua distância ao solo (de mais de 18 cm) o outro seria o Jeep Renegade. O Vitara é um carro com dimensões muito características: é ligeiramente maior que um Renault Captur, um Peugeot 2008 ou um Nissan Juke, mas mais pequeno que um Seat Ateca, um Nissan Qashqai ou um Kia Sportage; aproxima-se mais dos três primeiros do que dos segundos. Na Top10Motor convivemos alguns dias com o Vitara S, a única versão da gama com motor 1.4 BoosterJet de 140 CV e sistema Allgrip (tração 4×4). Contamos-lhe o que mais nos chamou a atenção deste SUV urbano:

Motor 1.4T de 140 CV: excelente equilíbrio entre desempenho e consumo

Suzuki Vitara S

O que provavelmente mais nos agradou neste carro foi o seu motor a gasolina 1.4 Booster Jet de 140 CV. Falamos de um propulsor turboalimentado com um excelente equilíbrio entre desempenho e consumo. A sua força é realmente surpreendente a médios e altos regimes, mas além disso tem binário desde baixas rotações (praticamente desde as 1.000 rpm), o que permite usar as velocidades longas e conduzi-lo como se fosse um diesel. O Suzuki Vitara S atinge os 100 km/h em menos de 10 segundos, o que demonstra que é um carro muito leve (pouco mais de 1.200 kg) apesar das suas dimensões.

As prestações deste motor não são penalizadas por um consumo excessivo, como acontece noutros SUV urbanos com motor turbo a gasolina, pelo contrário. O Suzuki Vitara S consome oficialmente 5,5 litros, e em condições reais o valor não é muito diferente: após percorrer mais de 700 km obtivemos um consumo médio de 6 litros. Para contextualizar este dado, também testámos o Nissan Juke com o motor a gasolina DIG-T 1.2 de 115 CV e obtivemos um consumo médio de 7 litros. Já nos surpreendeu o rendimento deste motor no teste do Suzuki Swift Sport, onde está configurado para oferecer uma resposta mais desportiva do que no Vitara. Mas podemos concluir que o 1.4 Turbo é uma das estrelas deste carro.

Suzuki Vitara S

No Vitara, o motor a gasolina serve para tudo: pode fazer-se uma condução “dinâmica”, tem binário de sobra para “trialar” fora do asfalto, e além disso é refinado e muito suave no seu funcionamento. O facto de ter uma caixa de velocidades em que a primeira mudança é curta para facilitar a condução fora de estrada, onde pode enfrentar arranques parado com pouca aderência ou subidas muito íngremes em que é preciso muito binário de forma instantânea, limita um pouco o prazer de utilização na cidade se não se habituar a usar a primeira praticamente só para arrancar e a passar de imediato para a segunda. Algo que não supõe qualquer problema.

Sistema Allgrip: a tração 4×4 que mais pensa na sua carteira

Suzuki Vitara S

Tal como outros SUV urbanos como o MINI Countryman ALL4 ou o Nissan Juke Nismo, o Suzuki Vitara S incorpora uma embraiagem multidisco de acionamento automático que distribui a força do motor pelas quatro rodas se as condições de aderência o exigirem. O Suzuki Vitara S funciona com tração dianteira em condições normais, o que proporciona uma poupança importante de combustível; mas se o carro perder aderência, o sistema Allgrip ligar-se-ia automaticamente para desviar uma percentagem de binário determinada para as rodas traseiras. Este sistema é mais simples e menos pesado do que um sistema de tração 4×4 convencional, daí ter-se popularizado, sobretudo entre os SUV que vão ser utilizados principalmente em asfalto.

Suzuki Vitara S

Mas já dissemos que este Vitara é dos carros da sua categoria que permite mais prazer quando acaba “o alcatrão”. O carro tem quatro modos de condução: Auto, Snow, Lock e Sport. O modo de condução “Auto” encarrega-se de que o eixo traseiro não receba qualquer tração para reduzir o consumo de combustível, a não ser que as condições de aderência sejam desfavoráveis. Nos modos “Snow” e “Lock” as quatro rodas do carro recebem binário, no primeiro caso numa proporção variável em função do terreno e no segundo numa proporção fixa, 50/50 (eixo dianteiro/eixo traseiro). Cabe destacar que o modo “Lock” se desativa acima dos 60 km/h. Por último, o modo “Sport” não intervém na percentagem de binário desviada para os eixos, mas em aspetos como a resposta do motor (muito mais direta) e a assistência da direção. Neste modo, a tração funcionaria no programa “Auto”.

Interior espaçoso e acabamentos corretos

Suzuki Vitara S

O Suzuki Vitara S oferece uma boa amplitude no habitáculo em relação aos seus rivais diretos, modelos como o Renault Captur ou o Peugeot 2008. Os bancos traseiros são bastante espaçosos e a mala oferece uma capacidade de 375 litros.

Suzuki Vitara S

O acabamento interior é correto. Embora encontremos bastantes plásticos e alguns ajustes um pouco frouxos nos painéis das portas, os materiais têm melhor aspeto nesta versão em relação à standard. O Vitara S oferece vários elementos com acabamento vermelho que dão ao interior um toque mais exótico.

Suzuki Vitara S

O interior do carro mostra-se sólido mesmo quando sai para o campo e a carroçaria enfrenta zonas com buracos sem rangidos ou ruídos estranhos. Além disso é um carro confortável graças à suspensão e ao isolamento do ruído durante a viagem. Tem boa visibilidade em comparação com outros SUV da sua categoria com um desenho mais “urbano”.

Suzuki Vitara S

O carro pode montar opcionalmente uma roda sobresselente, ainda que à custa de perder alguma capacidade da mala. Recomendamos esta opção se vai sair para o campo; para estrada, se prioriza a capacidade da mala, pode recorrer à roda de emergência ou ao kit de reparação de furos.

Suzuki Vitara S

Conectividade de ponta e amplo equipamento de série

O Suzuki Vitara S incorpora de série um sistema de infoentretenimento com ecrã tátil de 7 polegadas (muito intuitivo) compatível com Apple CarPlay e Android Auto. No vídeo anterior mostrámos como funciona este sistema e, em concreto, como usar o WhatsApp sem tocar no telemóvel. Este sistema inclui ainda navegador.

https://www.youtube.com/watch?v=_iag6vJJymo&t=37s

O carro dispõe também de um amplo equipamento de série. Destacam-se os seguintes elementos:

  • Jantes de liga leve de 17 polegadas com acabamento preto
  • Vidros elétricos
  • Retrovisores com acabamento em prata acetinado, ajustáveis eletricamente e aquecidos
  • Calhas do teto prateadas
  • Controlo de velocidade adaptativo
  • Bancos dianteiros aquecidos / estofos mistos com bordado vermelho
  • Pedais desportivos com acabamento em alumínio
  • Vidros traseiros escurecidos
  • Desembaciador traseiro
  • Controlo preditivo de travagem
  • Assistência à travagem
  • Sensores de estacionamento

Preço e rivais

Suzuki Vitara S

Como dissemos no início, é difícil encontrar rivais diretos para o Suzuki Vitara S pelas suas dimensões e por ser um dos poucos SUV urbanos com tração às quatro rodas. O seu preço é de 22.730 € na versão manual que testámos, já com descontos. Também se pode obter com caixa automática por 24.230 €. As alternativas mais próximas deste modelo em preço e perspetiva são os SUV urbanos que todos conhecemos:

Há que ter em conta que todos estes modelos são de tração dianteira e oferecem um espaço interior ligeiramente inferior ao do Vitara S. Por este motivo, também podemos compará-lo com modelos que incorporam um sistema de tração às quatro rodas, como os seguintes:

  • Mini Cooper Countryman ALL4 (136 CV): 500 €
  • Nissan Juke Tekna DIG-T 4×4 (190 CV): 340 €
  • Jeep Renegade 2.0 MultiJet (140 CV): 720€
  • Mazda CX-3 2.0 AWD (150 CV): 430 €

Suzuki Vitara S

Recordamos também que o Suzuki Vitara standard está disponível com tração dianteira e motor a gasolina de 120 CV a partir de 16.480 €, um preço muito mais acessível e próximo dos seus rivais mais generalistas (Captur, 2008…).

Ficha técnica deste carro


Comentarios cerrados