Icona: Ferrari apresenta aos seus acionistas a edição especial do superdesportivo que marca o seu futuro

Guillermo Lopez     18 September 2018     4 min.
Icona: Ferrari apresenta aos seus acionistas a edição especial do superdesportivo que marca o seu futuro

O Ferrari Icona poderia ter a sua base no 812 Superfast, com um motor V12 melhorado que atinge os 850 CV de potência e o catapultaria até aos 340 km/h

Ferrari prevê ampliar a sua oferta de superdesportivos de edição limitada para assim aumentar as suas margens de lucro e fazer face à concorrência cada vez maior que a marca enfrenta no mercado. O Icona, nome que recebe o modelo objeto deste projeto, faz parte integrante do aguardado plano estratégico que o novo presidente executivo da marca de Maranello, Louis Camilleri —nomeado por John Elkann após o falecimento de Sergio Marchionne—, apresentou ontem, segunda-feira, 17 de setembro, aos investidores da Ferrari.

Embora, por enquanto, não tenham transcendido imagens ou dados sobre o novo modelo, cujo projeto recebe internamente a designação F176, o Icona poderia ser desenvolvido a partir do Ferrari 812 Superfast, modelo com o qual a marca de Maranello celebrou o seu 70.º aniversário como fabricante de automóveis e que é considerado um dos mais exclusivos do fabricante italiano. Sob o capô da edição especial poderia esconder-se uma versão melhorada e atualizada do motor V12 de 6,5 litros de cilindrada e mais de 850 CV de potência máxima, que catapultaria o Icona para além dos 340 km/h.

O Icona virá a ampliar a gama de superdesportivos de edição limitada do fabricante do cavallino rampante. Estes modelos de edição especial são, em geral, os que proporcionam um maior volume de lucros à Ferrari. Ao terem margens comerciais muito superiores, a contribuição para os lucros da empresa é também muito maior, o que permite à Ferrari melhorar os seus resultados operacionais, ao mesmo tempo que mantém e até reforça a sua imagem de exclusividade.

Os modelos de edição especial, que na sua maioria são adquiridos pelos clientes mais fiéis à marca, demoram mais de um ano a chegar às mãos dos seus compradores e são algumas das unidades mais procuradas no hiperexclusivo mercado dos superdesportivos, onde a Ferrari enfrenta cada dia uma concorrência cada vez maior por parte dos seus rivais mais diretos (Aston Martin, Lamborghini, McLaren,…).

O futuro da Ferrari, uma das questões pendentes de Marchionne

Com o falecimento de Marchionne, uma das suas questões pendentes foi o plano de futuro da Ferrari. O dirigente italiano tencionava deixar a presidência do grupo FCA, mas manter-se à frente da Ferrari pelo menos nos próximos cinco anos, período durante o qual desenvolveria um plano estratégico que, embora esteja traçado nas suas grandes linhas, ainda não está concluído nem apresentado aos parceiros estratégicos e investidores da marca.

Há algum tempo, Marchionne separou a Ferrari do Grupo FCA e duplicou os lucros da marca em apenas quatro anos, graças ao aumento da sua produção e à introdução das primeiras edições especiais ou modelos únicos, como por exemplo o LaFerrari Aperta (versão aberta do LaFerrari), cujas exclusivas unidades são atualmente cotadas acima dos 2 milhões de euros no mercado e são muito procuradas pelos colecionadores.

Os planos de Marchionne para a Ferrari também contemplavam, no futuro, a introdução de veículos elétricos e híbridos na gama do fabricante de Módena, novidades entre as quais se encontraria também o primeiro SUV produzido pela Ferrari. Camilleri tem pela frente um desafio difícil, pois Marchionne anunciou em fevereiro passado que a sua ideia tinha como objetivo que a Ferrari duplicasse os seus ganhos até atingir lucros anuais superiores a 2.000 milhões de euros dentro de cinco anos (2022).

Marchionne levou consigo a sua ideia, pelo que na reunião já agendada com os investidores da marca para ontem, segunda-feira, 17 de setembro, Camilleri deverá atualizar estes sobre a situação atual da marca, bem como sobre o caminho futuro que pretende seguir nos próximos anos. Por esta razão, para já não transpiraram mais pormenores sobre a nova edição especial do superdesportivo que a Ferrari prepara, nem sobre as eventuais alterações que Camilleri pensa incluir no roteiro traçado —que não foi especificado— por Marchionne antes do seu falecimento.

A designação Icona não é nova

Em 2013, foi utilizada por Claudio Lombardi, antigo diretor técnico da Scuderia Ferrari, para dar nome ao Icona Vulcano, um modelo que apresentou no Salão de Xangai de 2013 e que teve continuidade no Concours d’Elegance de Pebble Beach de 2015, com o Icona Vulcano Titanium, o primeiro carro do mundo fabricado nesse material e dotado de uma mecânica de 670 CV que, a pedido do cliente, poderia ser elevada até 1000 CV. O Icona Vulcano de Xangai contava com uma mecânica híbrida que fornecia um total de 900 CV.

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