O que é o ciclo WLTP e por que não é tão fiável como se diz?
Estamos habituados a ler sobre o ciclo WLTP e a forma como este protocolo regista a autonomia de um veículo elétrico e as emissões de um motor de combustão

Quando se fala da autonomia de um carro, especialmente de um elétrico, diz-se que esta é determinada através do ciclo WLTP. Lemos isto em todos os artigos que tratam desta questão, mas talvez não tenhas clara a que se referem com este termo. Vamos tentar esclarecer as tuas dúvidas a este respeito com este artigo.
Para começar, deves saber que a sigla WLTP significa Worldwide harmonized Light vehicles Test Procedure e é um teste para determinar a autonomia de um veículo. Embora este protocolo tenha melhorado muito e substituído o anterior, chamado NEDC, aproximando os testes de laboratório das condições reais de condução, continua a ser impreciso.

Os testes do ciclo WLTP duram 30 minutos e constam de quatro partes. A primeira dura 589 segundos e utiliza o veículo a baixa velocidade. O segundo teste é realizado a velocidade média durante um período de 433 segundos. Depois realiza-se um teste a alta velocidade durante 455 segundos e, por fim, outro a alta velocidade durante 323 segundos. No caso dos veículos com motor de combustão, registam-se também as emissões de gases poluentes.
A velocidade média dos testes é de 46,5 km/h e a velocidade máxima de 131 km/h. No ciclo NEDC, a velocidade média era de 34 km/h. A temperatura do teste também mudou. O ciclo anterior realizava-se a 20 ºC, enquanto atualmente se realiza a 14 ºC, já que, a menor temperatura, a exigência é maior para o carro elétrico.

Porque é que a autonomia é menor do que a registada no ciclo WLTP
Mas, se estes testes, ainda que sejam de laboratório, imitam de forma mais fiável a condução real, porque não se ajustam mais à realidade e não indicam autonomias maiores para os carros elétricos? A explicação é simples: não é fácil imitar corretamente a condução em condições reais. Há vários motivos que fazem com que os dados oferecidos pelo ciclo WLTP sejam cerca de 25% inferiores aos que se podem encontrar na realidade.
A climatologia
Um dos fatores que mais afetam a autonomia dos carros elétricos é a climatologia. As temperaturas muito baixas ou muito altas afetam o funcionamento da bateria. Esta tem de funcionar a uma temperatura adequada, pelo que o carro deve consumir energia para manter essa temperatura de funcionamento ótimo.
Essa energia que aquece ou arrefece a bateria provém da própria bateria, pelo que afeta a autonomia do carro elétrico. Além disso, o uso do aquecimento ou do ar condicionado também faz com que o consumo de energia seja maior e a autonomia diminua.

A forma de conduzir
Conduzir de forma responsável ajuda a manter a autonomia do carro elétrico, pelo que é conveniente seguir os conselhos que te oferecemos neste artigo para não consumir mais energia do que a necessária para movimentar o carro, seja elétrico ou com motor de combustão.
De qualquer forma, deves saber que, mesmo que se conduza de forma sustentável e não se consuma muita energia com o sistema de climatização ou se esteja a uma temperatura agradável, nunca se vai alcançar a autonomia que o ciclo WLTP certifica.
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