Pode o carro elétrico fazer com que a sua fatura de eletricidade seja mais baixa? Analisamos como isso é possível

Guillermo Lopez     19 July 2018     7 min.
Pode o carro elétrico fazer com que a sua fatura de eletricidade seja mais baixa? Analisamos como isso é possível

Sim. Incrível, mas verdadeiro. A compra de um elétrico pode fazer com que os seus proprietários paguem menos dinheiro pela energia que utilizam nas suas casas.

À primeira vista, parece um contrassenso, mas, bem analisado, não o é tanto. Os utilizadores de veículos elétricos (VE) beneficiam de inúmeras vantagens — além de algum inconveniente — pelo simples facto de disporem de um VE. Uma das primeiras, na qual vamos centrar o conteúdo deste artigo, é a possibilidade de ver como o preço do kW/h no seu consumo de energia se reduz drasticamente. Como é isto possível? Vejamos.

Se perguntarmos a qualquer automobilista pelo preço do litro de combustível do seu carro, provavelmente não saberá responder com firmeza e total certeza, mas o que seguramente sabe é qual dos postos de abastecimento mais próximos da sua casa é o mais barato. O consumidor sabe que o preço do combustível está em constante flutuação e, por isso, lhe é difícil determinar o preço exato do litro. Mas a repetição das compras levou-o a estabelecer comparações entre os diferentes distribuidores ao seu alcance; comparações que lhe permitiram ter uma ideia clara de qual deles lhe fornece o combustível ao preço mais baixo.

Mudar de fornecedor de eletricidade: fácil, simples e sem custos adicionais

No mercado da energia acontece o mesmo. Existem numerosos distribuidores ao alcance do cliente, muito mais do que aqueles que ele próprio conhece ou é capaz de identificar, e que lhe podem fornecer os kW/h de que a sua casa necessita. No entanto, o mercado da energia é o mais desconhecido para a grande maioria dos consumidores portugueses de entre todos os que utilizam habitualmente no seu dia a dia.

Ao contrário do que se pensa, mudar de fornecedor de eletricidade é possível e não implica custos adicionais. Normalmente, os consumidores contratavam a luz com uma empresa que, posteriormente e durante toda a sua vida naquela casa, iria fornecer a eletricidade ao seu lar. Hoje, as coisas mudaram. O consumidor pode mudar de fornecedor no momento que quiser, sem custos adicionais, tal como faz com a sua operadora de telemóveis, procurando a oferta de preços e serviços mais competitiva e favorável aos seus interesses.

No entanto, a grande maioria dos consumidores não muda de empresa e mantém-se “fiel” ao seu fornecedor tradicional, evitando assim beneficiar de reduções importantes no preço que paga pela energia que utiliza.

Quanto custa o kWh? A maioria não sabe, mas o litro de combustível sabe

A maioria dos utilizadores desconhece o custo de uma unidade de eletricidade. Não sabe nem sequer aproximadamente, mas conhece com certeza ou de forma bastante aproximada o preço do litro de combustível que o seu carro consome. Chega mesmo a ser capaz de estabelecer um intervalo de preços mínimos e máximos entre os valores do litro de combustível nos postos de abastecimento mais próximos da sua casa.

Por defeito, a maioria dos consumidores continua a pagar nas suas faturas as tarifas mais elevadas de eletricidade que consome. Fazem-no simplesmente porque não dedicaram tempo suficiente a analisar e avaliar a oferta de fornecedores disponível e a procurar o mais barato. E isto acontece tanto em Espanha como noutros países do nosso entorno onde o setor da eletricidade também está liberalizado. Assim, no Reino Unido, dois terços dos consumidores ainda estão nesta mesma situação: pagam caro um produto que poderiam obter mais barato.

A chegada dos VE pode mudar completamente esta situação. A sua utilização diária fará com que os consumidores se preocupem mais com o preço unitário do quilowatt/hora do que habitualmente. Essa maior preocupação não só se traduzirá numa melhor utilização e otimização do uso que fazem da energia, como também levará os clientes a procurar obter a energia ao menor preço possível, mudando tanto de fornecedor como de fórmula para garantir o abastecimento.

Ao recorrer à maior concorrência existente no mercado, o consumidor levará as diferentes empresas a esforçar-se por oferecer melhores preços e maior qualidade de serviço, o que, a longo prazo, permitirá que o preço unitário do quilowatt/hora desça. Desta forma, e embora a fatura da luz que tem de pagar seja superior devido ao maior consumo provocado pelo uso do carro elétrico, o certo é que estará a comprar quilowatts/hora a um preço mais baixo do que antes.

Mas há mais. Os veículos elétricos mais modernos podem funcionar como acumuladores de energia, atuando como baterias de armazenamento da mesma na própria casa do consumidor. Através dos modernos sistemas inteligentes automatizados, o veículo pode carregar as suas baterias nos momentos em que o preço do quilowatt é mais baixo, o que também reduzirá o custo que pagamos pela energia. Além disso, tendo em conta que durante 90 por cento do seu tempo o carro permanece parado e sem ser utilizado, a energia acumulada nas baterias do carro pode ser utilizada para alimentar os diferentes sistemas elétricos da casa, gerando assim uma poupança importante no consumo.

E, como é lógico, com a utilização dos veículos elétricos os consumidores vão alterar por completo o seu interesse pelo conteúdo da fatura da luz (as letras pequenas), mais do que pelo continente (o preço global final a pagar todos os meses). O controlo do consumo do seu carro levá-los-á a preocupar-se mais com o preço unitário do quilowatt e a procurar a melhor oferta ou sistema de aquisição da energia. Por exemplo, já existem condomínios que recorrem diretamente aos leilões de energia para comprar grandes quantidades e, desta forma, reduzir os custos de aquisição e equilibrar o preço a pagar pela mesma durante longos períodos.

Em suma, embora a fatura global de eletricidade aumente, a utilização dos veículos elétricos reduzirá o custo da mesma, uma vez que o preço do quilowatt/hora da nossa casa descerá consideravelmente, não só para a eletricidade consumida pelo nosso carro, mas para toda a eletricidade que consumimos em casa. A essa poupança haverá também que somar a importante redução que supõe deixar de utilizar gasolina ou gasóleo no nosso carro.

O preço do quilowatt-hora oscila entre 0,075453 euros e 0,159068 euros nas tarifas com discriminação horária e entre 0,122 euros e 0,115 euros nas tarifas sem discriminação. A cada 100 km, um carro elétrico consome cerca de 13,3 kW/h, o que significa um gasto aproximado de 1,094 euros se tivermos feito o carregamento com a Tarifa do Veículo Elétrico que várias empresas já propõem. Carregando com tarifas normais, o custo da energia oscilaria entre 1,6 e 2,2 euros a cada 100 km. Num diesel, com um consumo médio de 5 litros aos 100 km, o custo médio seria de 6,15 euros. Se tivermos em conta que o percurso médio de um condutor em Espanha ronda os 15.000 km/ano, a poupança que o veículo elétrico geraria em relação ao veículo diesel seria superior a 600 euros por ano.

un comentario

  1. Gestoria en Marcha says:

    Articulo muy interesante!

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