A evolução da segurança nos últimos 30 anos: um mundo que melhorou

Victor Alós Yus    @sepelaci    8 November 2016     4 min.
A evolução da segurança nos últimos 30 anos: um mundo que melhorou

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Hoje, quando entramos no carro, a primeira coisa que fazemos é pôr o cinto de segurança. Depois certificamo-nos de que todos, incluindo os ocupantes do banco traseiro, o levam colocado. Não se trata apenas de existirem multas pesadas para quem não cumpra a norma de o usar sempre colocado e bem ajustado, mas também de sermos conscientes de que, ao mais pequeno choque, somos projetados para a frente e podemos sofrer e até provocar danos graves.

Mas esta perceção de segurança ao volante nem sempre existiu e, até há poucos anos, não era tão comum tomarmos estas precauções quando íamos de carro. Os que crescemos nos anos 70 e 80 temos recordações que nos arrepiam os pelos dos braços. Fomos testemunhas de situações que representavam verdadeiros riscos para a integridade dos ocupantes do carro, coisas que hoje não faríamos de forma alguma.

O cinto de segurança

Colocar o cinto de segurança era considerado algo dispensável antes dos anos 90. Pôr o cinto parecia coisa de principiantes e motivo de troça dos condutores mais experientes. Se alguém usava o cinto de segurança ao volante, era tachado de pouco capaz de conduzir. Se se tratava do passageiro, o condutor olhava-o como se não confiasse nele. Para evitar os efeitos do impacto, bastava a força dos braços para controlar a colisão. E todos o sabiam.

Além disso, circulava aquela lenda urbana em que um condutor ficou queimado dentro do carro após uma colisão, porque o fecho do cinto emperrou e não conseguiu sair a tempo. Também se considerava que uma pancada com o cinto provocava sérios danos no peito e no abdómen. Quanto às consequências que esse mesmo impacto teria sem cinto, isso, claro, não se tinha em conta.

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No banco traseiro, viajávamos até deitados nos assentos. E sem cadeirinha de criança, totalmente desprotegidos e sem qualquer possibilidade de sobreviver sem ferimentos a um acidente, por pequeno que fosse. Uma temeridade que hoje não permitiríamos aos nossos filhos.

Felizmente, com a chegada dos anos 90, muita coisa mudou: os airbags começaram a generalizar-se e o uso do cinto popularizou-se, afastando estas histórias de medo que impediam a sua utilização.

O desenrascanço em casa

As duas últimas décadas trouxeram muitas novidades no que respeita à segurança rodoviária. As avarias nos carros não são nada de novo. Mas a mecânica do automóvel também mudou muito nas últimas décadas. Dos motores essencialmente mecânicos passámos a outros em que a eletrónica é parte fundamental da sua composição, pelo que se exige ferramenta mais específica. Antes, qualquer desenrascado podia fazer trabalhos no motor, mesmo sem a formação adequada.

As mudanças de óleo em casa eram muito mais comuns do que agora. E o óleo usado? Acabava em bidões, que eram deitados em qualquer lado, onde não incomodassem. As pequenas reparações, feitas por mecânicos amadores ou sem as ferramentas adequadas, eram bastante comuns. O resultado eram avarias mais graves e mais difíceis de reparar, justamente as que resultavam de reparações mal feitas.

As luzes

As luzes dos carros têm duas funções muito claras. A primeira é que nos vejam durante as horas em que não há luz natural. A segunda é permitir que nos vejam nos momentos em que a visibilidade é nula ou muito reduzida. Nos anos 70 e 80 as luzes serviam para estes fins, mas as tecnologias melhoraram a funcionalidade destes elementos de segurança. Os faróis ganharam em luminosidade e em alcance.

A tecnologia tradicional passou por avanços importantes e vimos a chegada dos faróis de xénon, que permitem um feixe de luz mais eficiente. Depois veio a revolução dos LED e todas as sucessivas evoluções que se seguiram a estes avanços. A tecnologia laser também tem sido protagonista deste progresso e chegou para melhorar as possibilidades com que nos deparamos.

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As luzes de circulação diurna, algo relativamente novo no nosso país, também ajudam a melhorar a visibilidade dos veículos durante o dia, algo que parecia coisa de marcianos há não muitos anos.

A todos estes avanços técnicos há que acrescentar todos esses sistemas de apoio à condução que foram sendo incorporados no equipamento dos modelos novos. Ainda não estamos perto da condução autónoma, pelo menos a grande maioria dos condutores não, mas os nossos carros já contam com sistemas de aviso de mudança de faixa, câmaras para controlar a parte traseira e muitos outros elementos que nos ajudam a melhorar a nossa segurança ao volante.

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