Consumo instantâneo: o que é e por que não deves dar-lhe atenção?

Antonio Roncero    @roncero_antonio    4 August 2021     4 min.
Consumo instantâneo: o que é e por que não deves dar-lhe atenção?

Explicamos o que é o consumo instantâneo que o computador de bordo do carro mede e os motivos pelos quais é melhor não dar atenção a este indicador

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Quase todos os carros com motor de combustão, seja gasolina ou gasóleo, permitem controlar o consumo médio do veículo através do computador de bordo. Alguns oferecem até a possibilidade de controlar este consumo em duas fases: uma com o percurso acumulado, e outra que podes ir repondo a zero para medir parciais.

Este consumo médio costuma ser um bom indicador do que gasta o teu carro em condições reais de utilização. Afinal, o sistema calcula-o tendo em conta o combustível que entra nos cilindros e os quilómetros percorridos. Por isso, é normal que o consumo médio indicado pelo teu carro seja superior ao consumo homologado, que com a norma WLTP se aproxima muito mais do consumo real do que com a antiga norma NEDC, mas continua a ser inferior ao real.

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Portanto, não deves preocupar-te se o teu carro gasta mais do que indica o fabricante: é totalmente normal, uma vez que os ensaios de homologação continuam a ser testes em banco de rolos que tentam reproduzir condições reais.

De qualquer forma, e embora a precisão dos medidores de consumo médio dos carros atuais seja muito alta, podes sempre verificar o desvio em relação ao consumo real. Basta assegurares-te de encher o depósito até ao máximo, voltar a encher depois de percorridas algumas centenas de quilómetros (a medição será mais fiável quanto mais quilómetros percorreres antes do reabastecimento) e fazer o cálculo dividindo os litros consumidos pelos quilómetros percorridos.

Outra coisa é o indicador de consumo instantâneo, que também têm muitos carros. E já te adianto que a sua utilidade é… mínima ou nula. Mais: sempre defendi que pode até ser perigoso prestar-lhe atenção. Vou explicar-te porquê.

Como funciona o indicador de consumo instantâneo?

O medidor de consumo instantâneo funciona de uma forma um pouco mais complexa. Sem entrar em detalhes de fórmulas, o que faz é utilizar o dado do caudal de combustível (microlitros por segundo) que a centralina injeta nos cilindros e convertê-lo em litros por hora. Como a centralina sabe a velocidade a que o carro circula em cada momento, pode fazer um segundo cálculo para oferecer o dado de consumo instantâneo em litros aos 100 km. A medição pode ser feita a cada segundo.

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Por este motivo, o indicador de consumo instantâneo apresenta uma oscilação contínua e com grandes diferenças entre os valores, ao contrário do indicador de consumo médio, que varia de forma lenta e progressiva quando o repomos a zero, estabilizando depois de percorridos os primeiros quilómetros. Por exemplo, ao acelerar para realizar uma ultrapassagem ou ganhar velocidade, podemos ver que o consumo instantâneo do carro «dispara» pontualmente para valores que podem multiplicar por 3, ou até mais, o consumo médio.

Supondo que circulamos em reta e sem vento contra (o mais pequeno declive ou rajada de vento afeta o consumo instantâneo), com carga constante no pedal do acelerador, quanto maior a velocidade, melhor o consumo instantâneo, e vice-versa. Por isso há carros que não mostram o consumo instantâneo abaixo de certa velocidade, para não «assustar» o condutor. Também é frequente que, com o motor ligado e o carro parado, o consumo instantâneo passe a ser medido em litros por hora.

Para que serve o indicador de consumo instantâneo?

Precisamente, esta oscilação é que demonstra a ineficácia do indicador de consumo instantâneo… e a sua perigosidade. Pelo menos para o condutor, para quem o que realmente importa é o consumo médio acumulado. Cada condutor pode repor o parcial a zero se quiser controlar o consumo do seu carro em determinados percursos, por exemplo, na cidade ou na autoestrada, o que sim pode ter utilidade. A medição do consumo instantâneo, portanto, não nos serve para nada, e fixarmo-nos nela pode causar-nos mais de um susto.

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Há quem recorra a esta medição como ajuda para praticar uma condução eficiente em carros que não têm indicador de recomendação de mudança de velocidade nem «económetro».

E entre o inevitável escândalo ao ver valores no indicador de consumo instantâneo que facilmente ultrapassam os 20 l/100 km ao acelerar – por exemplo, numa subida – , o facto de que, ao levantar o pé do acelerador, o valor cai praticamente para zero, e que os números destes indicadores no painel de instrumentos costumam ser pequenos, usá-lo como referência, sobretudo se nos obcecarmos com os valores que mostra, pode levar-nos a sofrer uma distração e um sério contratempo.

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