O carro autónomo não é tão bonito como parece: existem mais de 150 problemas graves por resolver

Jaime Gomez     2 March 2017     4 min.
O carro autónomo não é tão bonito como parece: existem mais de 150 problemas graves por resolver

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A segunda Jornada sobre Tecnologia e Segurança Rodoviária – organizada pela Seguridad Vital (RTVE), FESVIAL e Carglass – revelou uma grande dose de realidade sobre a rápida evolução experimentada pela mobilidade autónoma nos últimos anos.

Durante o certame, o presidente da FESVIAL e catedrático em segurança rodoviária, Luis Montoro, quis travar as elevadas expectativas que rodeiam o carro autónomo. Segundo o catedrático, ainda há muitas questões a resolver antes de o nível 5 de condução autónoma ser introduzido na via pública, e, mesmo que chegue esse momento, poderia não ser rentável, ainda que seja tecnicamente possível.

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Segundo um artigo da revista Technology Review, existem até 150 problemas graves por resolver. “Vivemos numa época perigosa, com muitos inventos e poucas reflexões. Não se pode pensar no carro autónomo apenas em termos tecnológicos, porque estas tecnologias afetam o ambiente, as pessoas, a economia e a sociedade. Antes de chegar ao nível 5 de condução autónoma, há ainda muito por fazer, sobretudo no plano legal, pessoal e social“, afirma Luis Montoro.

Num artigo publicado pela revista Technology Review – pertencente ao MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) – são recolhidos até 150 problemas graves que o carro autónomo tem de enfrentar e para os quais ainda não existe uma solução concreta. Durante a sua intervenção, o presidente da FESVIAL enumerou algumas dessas questões: “Que seguro vai ter? Com que idade se poderá usar?, Quem terá a responsabilidade num acidente?, Quem decidirá o dilema moral numa situação complicada? Que formação teremos? Vão desaparecer milhões de condutores profissionais?, Haverá polícias de trânsito e multas? Quem controlará a manutenção dos sistemas laser, radar, câmaras e satélites dos carros autónomos?”, apontou o catedrático em segurança rodoviária.

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Para além das questões que deverão ser resolvidas no futuro, há muitos condicionalismos que limitam atualmente a segurança da mobilidade autónoma. “Hoje em dia registam-se falhas graves na condução noturna, ou com chuva, neve ou nevoeiro. Os sistemas autónomos atuais precisam de um tempo de análise e reação perante algumas das milhares de situações que podem encontrar; por vezes, até 7 segundos para pensar e reagir. Também existem problemas para reconhecer sinais e marcas rodoviárias se não estiverem perfeitamente conservadas. Há limitações graves no reconhecimento de peões e ciclistas, por exemplo se um peão se agachar numa passadeira…” declara o presidente da FESVIAL.

Resolvidos os problemas, chegaria o carro autónomo a ser rentável para as marcas? Para além dos anteriores, Montoro enumerou uma série de possíveis riscos que poderiam dificultar o uso desta tecnologia: “existe risco de pirataria e interferências entre carros. Os próprios sistemas do carro também podem constituir uma ameaça para a segurança. Outro problema grave é a comunicação em tempo real com os satélites que guiam o carro: se houver uma pequena desconexão, pode haver um acidente. Ou se uma câmara se sujar, por exemplo com excremento de um pássaro, o carro pode ter graves problemas. Com as marcas rodoviárias já se demonstrou que apenas com um apontador laser e um reflexo de luz se consegue enganar os carros autónomos“, aponta o catedrático em segurança rodoviária.

A revista Technology Review afirma que atualmente é impossível programar veículos que prevejam o que vão fazer outros carros ou peões. Para isso seria necessária a inteligência artificial. “Segundo muitos especialistas, o nível 5 do carro autónomo tem de ser propositivo, criativo e antecipativo, algo impossível de programar hoje em dia”, garante Luis Montoro.

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Para coroar o assunto, o catedrático em segurança rodoviária pôs em dúvida que o veículo 100% autónomo chegue a ser rentável. “Ainda há muito por fazer para chegar ao nível 5, embora ninguém duvide que se chegará. É certo que são tecnologias muito complexas, caras, vulneráveis e que exigirão um nível de manutenção tal que será preciso questionar se a implementação é viável e rentável, ainda que seja tecnicamente possível“, concluiu Luis Montoro.

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