A Tesla acumulam-se graves problemas que comprometem o seu futuro

Guillermo Lopez     7 May 2018     4 min.
A Tesla acumulam-se graves problemas que comprometem o seu futuro

Tesla declara perdas de quase 800 milhões no primeiro trimestre de 2018 e tem de enfrentar uma acusação de plágio por parte do seu principal rival, a Nikola

Como se costuma dizer, a Elon Musk acumulam-se-lhe os problemas em cima da mesa. Às perdas recorde declaradas de 784 milhões de dólares durante o primeiro trimestre de 2018 (quase o dobro do mesmo período de 2017) e à sonante paragem da produção durante o passado mês de abril, a Tesla juntam-se novos problemas a que fazer face: por um lado, a denúncia apresentada pelo fabricante de camiões Nikola, que o acusa de plágio no desenho e desenvolvimento do seu camião elétrico.

A Nikola pede à Tesla (não é um jogo de palavras; na corrida pela liderança da mobilidade elétrica, ambas as empresas escolheram o nome do insigne cientista para se identificarem) 2.000 milhões de dólares (quase 1.670 milhões de euros), por considerar que a empresa de Elon Musk infringiu as normas sobre a utilização de determinadas patentes da Nikola no que respeita ao desenvolvimento da aerodinâmica do respetivo camião elétrico. Ao que parece, os desenhos do para-brisas, das portas e de toda a silhueta aerodinâmica, em geral, do camião da Tesla são iguais aos patenteados pela Nikola no seu camião elétrico.

Num camião, a aerodinâmica adquire tanta ou mais importância do que os próprios motores elétricos ou as baterias que se utilizam, pois dela depende a verdadeira eficiência do veículo ao circular nas estradas. Para a Tesla a denúncia apresentada pela Nikola carece de fundamento, pelo que ambas as empresas terão de dirimir as suas diferenças a esse respeito nos tribunais. A Nikola e a Tesla competem entre si para ver quem é a primeira a comercializar o seu camião elétrico no mercado. A Nikola prevê iniciar a produção do seu em 2020, enquanto a empresa de Musk deveria comercializá-lo em 2019, se é que não incumpre mais uma vez os seus próprios planos.

Precisamente isto é o que realmente está a complicar a vida ao engenhoso empresário americano. Para cumprir os seus compromissos nas entregas do Model 3, Musk viu-se obrigado inclusivamente a dormir na fábrica onde a Tesla produz o seu veículo compacto. No passado mês de abril a Tesla incumpriu mais uma vez as previsões tanto de produção como de entregas a clientes do Tesla Model 3, modelo que proporciona à marca receitas no valor de 3.408 milhões de dólares e que tem comprometidas numerosas entregas a clientes que já pagaram antecipadamente ou entregaram uma importante quantia a título de sinal pelo seu carro.

Musk anunciou num tom triunfalista que estabeleceu um novo recorde de produção na fábrica, 40% superior ao do último trimestre de 2017, embora claramente inferior às previsões que a própria Tesla se tinha proposto alcançar nesta altura. «A nossa compreensão da produção melhora exponencialmente», afirmou Musk. «Estamos — disse — a avaliar fórmulas para conseguir melhores volumes de produção com menores custos e despesas de capital, simplificando para isso a cadeia de produção e comprometendo os funcionários na melhoria da forma como se fabricam e chegam as peças.

Depois da apresentação dos resultados do passado trimestre, o preço das ações do fabricante desceu 5 por cento, embora depois se tenha recuperado novamente; as constantes oscilações empresariais começam a cansar os investidores, que, além disso, estão ainda mais alarmados pelo forte interesse que os tradicionais fabricantes europeus e americanos manifestam pelo desenvolvimento de veículos elétricos e pelos recentes acidentes de veículos da marca equipados com tecnologias de condução autónoma, um dos fortes atrativos dos modelos da Tesla nos Estados Unidos

Tesla continúa sin resolver los problemas de producción del Model 3

O crescente interesse que os fabricantes europeus demonstram na produção de veículos elétricos preocupa não só pela enorme força dos novos rivais com que a Tesla se vai deparar no mercado, mas também pela ampla experiência e conhecimento que os fabricantes europeus têm tanto em matéria de qualidade de produção como de redução de custos na mesma, algo em que a Tesla tem vindo a falhar continuamente.

A quase totalidade dos fabricantes europeus está agora convencida de que o futuro da indústria automóvel passa pela eletrificação dos seus modelos e lançaram-se por completo na reorientação das suas políticas de produção e comercialização para a produção de modelos híbridos, elétricos e plug-in. O que, além de representar um enorme desafio para a indústria em geral, vai gerar uma forte presença de novos modelos de última geração no mercado, aos quais a Tesla vai ter de fazer face estando pior preparada do que todos os seus rivais para poder reduzir ainda mais os seus gastos.

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