Cuidado! Carros antigos, sem IPO e sem seguro: a realidade do parque automóvel espanhol
O envelhecimento do parque automóvel em Espanha é um problema bastante grave, ao qual se soma a falta de manutenção e os carros sem seguro em circulação.

O ano de 2020 foi um ano muito mau para a matrícula de carros novos, mas 2021 não fica para trás. Em março, registaram-se menos 30% de carros matriculados do que no ano anterior e as vendas desse ano já foram baixas. Não há movimento na matrícula de carros novos e isso traz um problema que muitas vezes passa despercebido: a idade média do parque automóvel espanhol aumenta, segundo um relatório apresentado pela Acierto.
Isto faz com que a idade média dos carros que circulam nas nossas estradas já atinja os 13 anos. Um número que faz multiplicar o risco de conduzir. Um carro com mais de 10 anos tem o dobro do risco de sofrer avarias e representa um perigo nas estradas ou nas ruas. Se tiver mais de 14 anos, as possibilidades de sofrer um acidente triplicam em relação a um carro novo.

Se houver uma boa manutenção, esse risco reduz-se consideravelmente, mas está sempre presente. A falta de sistemas de assistência à condução torna mais complicado controlar o veículo e a falta de ABS e de ESP, dois dos mais básicos, aumenta o risco. E, atenção, segundo este trabalho, 55% dos veículos que circulam nas estradas espanholas ultrapassam os 100.000 km.
Falta de manutenção e sem seguro
A atual situação económica faz com que os proprietários destes carros mais antigos pensem duas vezes antes de levar o carro à oficina. Pequenas avarias que poderiam ser reparadas facilmente são ignoradas e, com o tempo, dão origem a avarias mais complexas. Os pneus também sofrem por causa disto. De facto, segundo o estudo, 3 em cada 5 condutores não mudam os pneus a tempo e circulam com as rodas em mau estado. Mais um risco que se soma aos restantes.

A IPO serve para identificar esses problemas e resolvê-los. Mas neste aspeto também encontramos dados preocupantes. Segundo a Associação Espanhola de Entidades Colaboradoras da Administração na Inspeção Técnica de Veículos, 45 em cada 100 veículos que circulam não têm a IPO em dia. Um dado importante, que pode acarretar uma coima de entre 200 e 500 euros, consoante o caso.
O dado é preocupante, mas também para os condutores. Cerca de 10% dos carros envolvidos num acidente não tinham a IPO em vigor. Isto afeta também o seguro, já que a seguradora pode não pagar as indemnizações por danos próprios ou mesmo os danos a terceiros se se demonstrar que o acidente foi causado por uma avaria que poderia ter sido detetada na IPO.
A falta de seguro é outro problema que continua a crescer. As dificuldades económicas levam a que haja condutores que não conseguem suportar esse custo e que prescindiram dele. Esta tendência começou a notar-se em 2008, durante a crise económica anterior. Desde então, detetou-se um aumento de 41% em relação a anos anteriores.
Em Espanha há 32.054.257 veículos com seguro, o que quer dizer que o número de veículos que circula sem seguro é de cerca de 2,5 milhões. Um dado bastante preocupante, que acarreta uma coima de entre 601 e 3.005 euros e a imobilização do veículo. É importante ter um seguro, porque os prejuízos que se podem sofrer são muito maiores do que o custo do mesmo, mesmo que se trate de um pequeno incidente.
O mais adequado para manter um carro com mais de 10 anos em bom estado é fazer revisões periódicas, passar na IPO todos os anos e ir reparando os possíveis defeitos que se encontrem, e manter ativa uma apólice de seguro que permita circular com todas as garantias legais.
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