Inovação que perdura: 50 anos da direção telescópica desacoplável da Mercedes-Benz

Jaime Gomez     4 August 2017     6 min.
Inovação que perdura: 50 anos da direção telescópica desacoplável da Mercedes-Benz

Em agosto de 1957, a Mercedes-Benz instalou na direção um sistema de segurança que reduzia os riscos em caso de acidente: a direção telescópica desacoplável.

Kontinuierliche Innovationen für die Sicherheit: Vor 50 Jahren: Alle Mercedes-Benz Personenwagen erhalten Sicherheitslenkung inklusive Pralltopf

Cinquenta anos depois, a direção telescópica desacoplável da Mercedes-Benz continua em vigor e, ao longo de todo esse tempo, a marca conquistou um sólido prestígio como pioneira em matéria de segurança no mundo automóvel. A marca da estrela é uma daquelas que, no setor automóvel, têm claramente marcado o ritmo em termos de segurança na hora de dotar os seus modelos de novos avanços e inovações.

Além de ter introduzido o sistema de segurança que deu origem aos atuais sistemas de coluna de direção retrátil e ao amortecedor de impactos no volante que abriu caminho aos modernos airbags, nestes 50 anos decorridos desde então, a marca de Estugarda introduziu muitos outros elementos fundamentais para a segurança dos automóveis.

A segurança nos automóveis, contributos diretos da marca

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A Mercedes foi a primeira a oferecer o cinto de segurança como opcional, em 1957. Desde elementos como os fechos de segurança cónicos para as portas (patenteados em 1949) ou o facto de o seu próprio logótipo, a estrela, ser retrátil (1957) para evitar possíveis danos a peões em caso de atropelamento, até sistemas tão vitais como a estrutura de carroçaria deformável (1959), o sistema antibloqueio de travões ABS (1978), o airbag (1981) ou o programa eletrónico de estabilidade ESP (1995). Todos eles são contributos diretos da Mercedes-Benz para a segurança dos automóveis.

Mas a história não acaba aí, continua hoje com a visão que a marca tem para conseguir que a condução seja totalmente autónoma e livre de acidentes, objetivo para o qual está atualmente a desenvolver o seu conceito holístico Intelligent Drive, repleto de soluções que abrem caminho para a condução conectada, autónoma, partilhada e eletrificada.

A Mercedes sempre teve uma visão global da segurança automóvel. Visão que manteve todos estes anos graças ao contínuo processo de melhoria que persegue nos seus desenvolvimentos. O resultado deste processo é a importante série de inovações introduzidas nos seus modelos, inovações que foram marcando os padrões de segurança nos diferentes segmentos do mercado.

Já na década de 60, os engenheiros cunharam os hoje clássicos conceitos de segurança ativa (a de condução, fisiológica e operacional) e passiva (a segurança interior e exterior). Hoje, esse conceito classificador transformou-se num conceito holístico de segurança nos veículos, que contempla soluções integradas em que se combinam os contributos de vários sistemas para atuarem de forma coordenada.

Do amortecedor de impactos ao moderno airbag

O sistema de direção de segurança elaborado através da introdução da coluna de direção telescópica com amortecedor de impactos foi introduzido pela Mercedes-Benz em agosto de 1967 em todos os seus veículos de turismo. Os dois componentes do sistema permitiam reduzir consideravelmente o risco de lesões para o condutor, já que, em caso de colisão frontal, a coluna de direção telescópica, seccionada em várias partes, se quebrava para evitar a sua intrusão no habitáculo. Ao mesmo tempo, no centro do volante instalava-se um amortecedor de impacto adicional cuja função era absorver e reduzir a energia cinética provocada pelo condutor ao embater contra ele em caso de acidente. Este conceito, cuja primeira patente remonta a 1954, foi o mesmo que inspirou mais tarde as estruturas deformáveis da carroçaria.

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E dizemos mais tarde porque, naquela altura, as estruturas dos carros eram fabricadas segundo um conceito totalmente diferente. Além do máximo conforto a bordo, todos queriam desfrutar da máxima rigidez na carroçaria, sob o conceito errado de que quanto maior robustez, melhor proteção para os ocupantes do veículo em caso de acidente.

Os engenheiros e técnicos da Mercedes-Benz trabalhavam em sentido totalmente contrário desde finais da década de 40. Esses trabalhos têm evoluído continuamente desde então até aos nossos dias, uma vez que os engenheiros da marca têm vindo a desenvolver e a introduzir soluções específicas de segurança que têm vindo a melhorar sucessivamente os conceitos iniciais.

Em 1959, a Mercedes-Benz introduziu nas estruturas uma célula de segurança com zonas rígidas indeformáveis para proteger os passageiros e zonas deformáveis para absorver as forças geradas pelo impacto. Este desenho pioneiro abriu as portas à moderna segurança no mundo automóvel. O seu criador, Bela Barenyi, era um engenheiro da marca contratado em 1939 por recomendação direta do então chefe de desenvolvimento experimental de chassis e carroçarias, Karl Wilfert, para desenvolver novos conceitos de veículos. Trabalhando na Mercedes-Benz até à sua reforma em 1974, Barenyi patenteou mais de 2.500 inventos, muitos dos quais serviram de base para numerosas soluções pioneiras em matéria de segurança para toda a indústria automóvel.

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A estrela da Mercedes retrátil em caso de acidente e outras soluções de segurança

Os cintos de segurança de 3 pontos chegaram em 1961. Engenheiros como Barenyi são os verdadeiros criadores dos maiores avanços em matéria de segurança, mas também os responsáveis por soluções engenhosas aplicadas a pormenores menores mas igualmente refinados, como o introduzido no famoso ícone que distingue os turismos da Mercedes-Benz: a sua estrela. Pormenores que, por mais simples que sejam, representam um importante avanço em matéria de segurança, neste caso sobretudo para os peões.

A estrela da marca tem a sua origem, como tantas outras icónicas, na famosa “mascote” que, nos primórdios do automóvel, decorava a parte superior dos radiadores dos carros da época. Essas “mascotes” foram expressamente proibidas em abril de 1959 devido aos riscos que representavam para os peões em caso de acidente.

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Antes dessa proibição, um comunicado interno da direção da empresa aos seus concessionários dizia o seguinte: “Podemos informá-lo de que foi desenvolvida uma estrela Mercedes retrátil para os nossos veículos (…) A estrela mantém-se sob tensão através de uma mola num leito de esferas sob o suporte, agora totalmente plano, e retrai-se quando sujeita a uma forte pressão. Esta inovação, que será introduzida antes do final de junho, reduz o risco de lesões num acidente”. Este comunicado demonstra como, mais uma vez, a Mercedes estava à frente no estudo da segurança, incluindo para os peões. Esse avanço é a razão pela qual, ainda hoje, a estrela se mantém na frente dos turismos Mercedes Benz.

Naquela década, de 1950 a 1960, a Mercedes introduziu ainda notáveis inovações em matéria de segurança. Em 1954, o Mercedes-Benz 220 (W180) adotou o primeiro eixo oscilante de articulação única com braços de impulso. Em 1957 foram oferecidos como elemento opcional os cintos de segurança e, no ano seguinte, as primeiras fechaduras de porta com sistema de duplo fecho. Em 1961, na base do Mercedes Benz 220 SE Coupé, chegaram os primeiros travões de disco nas rodas dianteiras (W111), e nesse mesmo ano foram introduzidos os travões de disco nas quatro rodas nos Mercedes-Benz 300 SE (W112) e 300 SL Roadster (W198). Nesse mesmo ano, eram oferecidos como equipamento opcional os cintos de segurança de três pontos. Em 1963, todos os turismos da gama passaram a incorporar o sistema de travões com duplo circuito hidráulico como equipamento de série.

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