Vale a pena circular em ponto morto?

Victor Alós Yus    @sepelaci    16 July 2019     2 min.
Vale a pena circular em ponto morto?

Circular em ponto morto é uma daquelas receitas que os “entendidos” costumam recomendar para poupar um pouco de combustível, mas será verdade ou não passa de um mito?

Conducir Punto Muerto Riesgo

A sabedoria popular está cheia de grandes conselhos que, apesar de todas as boas intenções do mundo, podem acabar por ser contraproducentes para o motor e até para outros componentes do carro. Há quem diga que conduzir em ponto morto pode ser uma boa ideia para poupar combustível, mas, como quase sempre acontece, os conselhos populares não são tão reais como podemos imaginar.

É verdade que se pode poupar combustível conduzindo o carro em ponto morto? Pois a verdade é que não só não se consegue poupar combustível, como em alguns casos o consumo pode até ser ligeiramente mais elevado e colocar problemas de segurança na condução. Vejamos porquê.

Conducir Punto Muerto

Para começar, as mudanças ligam o motor às rodas e fazem com que estas recebam a potência gerada pelo mesmo. Mas quando se coloca a transmissão em ponto morto, ambos os sistemas ficam desligados. Isto significa que o motor não sabe que o carro está em movimento e os injetores introduzem combustível no motor para o fazer funcionar.

No caso de circular numa descida, são as rodas que transmitem o movimento ao motor, ao contrário do que acontece normalmente. Além disso, o motor funciona como travão e permite manter o controlo em todos os momentos. Nesse instante, em que se desce por um declive e não se pisa o acelerador, o motor está, praticamente, em modo consumo 0.

Outra coisa importante. Não só se circula sem consumir combustível, como também se mantêm ativos outros componentes importantes do carro. Ao controlar a velocidade do carro com o travão motor e alguma aceleração ocasional, o carro mantém-se sob o controlo do condutor e evitam-se riscos.

Se circular em ponto morto nessas circunstâncias, aproveitando a descida de uma subida, trava-se mais e os travões podem ficar danificados, ao sofrerem um maior desgaste. Além disso, poderão surgir uma série de complicações a nível mecânico. A maior acumulação de carvão na válvula EGR, no catalisador e no filtro de partículas pode levar a uma avaria ou, pelo menos, a ter problemas ao circular.

Em terreno plano, a situação é semelhante. O ponto morto faz com que o motor permita a entrada de combustível para o manter em funcionamento, enquanto que com uma mudança engatada, este move-se com a ação das rodas e não consome. Ao pisar o acelerador é que entra combustível e é aí que se consome.

A necessidade de manter o controlo do carro, evitar avarias nos travões e no próprio motor e poupar combustível torna, de facto, indispensável conduzir sempre com uma mudança engatada. Não o esqueça.

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