Ford Mustang Mach-E: testamos o novo modelo anti-Tesla

Rafa Guitart    @GuitartRafa    2 March 2021     13 min.
Ford Mustang Mach-E: testamos o novo modelo anti-Tesla

Em maio chegarão a Espanha as primeiras unidades do Mustang Mach-E, um SUV desportivo elétrico com tração traseira ou integral e duas capacidades de bateria

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Aposta corajosa do gigante norte-americano, que se atreve a lançar um novo Mustang, mas neste caso com uma versão 100% elétrica, tão desportiva e sugestiva como os “Muscle Cars”, mas transformando o conceito numa carroçaria mais prática e familiar, tipo SUV coupé. Trata-se do modelo mais disruptivo e inovador dos últimos anos da marca, desenvolvido a partir de uma folha em branco pelo departamento Team Edison da Ford. Para isso optou-se pelo desenho de uma plataforma completamente nova, que dará origem a futuros modelos da marca, e que permite integrar as baterias refrigeradas no próprio piso. Logicamente, a adoção obrigatória de potentes motores elétricos e a afinação do chassis capaz de proporcionar o carácter esperado de um Mustang.

O Ford Mustang Mach-E só ostenta o emblemático logótipo com o “pony” da marca americana, e não o oval da Ford, embora seja comercializado na própria rede de concessionários da Ford e através da Internet.

O seu aspeto exterior recorda algumas características que se destacaram nas linhas das edições anteriores, como a frente tipo “focinho de tubarão” com o “pony” a presidir à grelha, o longo capô dianteiro, a marcada linha de cintura, os grupos óticos rasgados, a curvatura do teto, os chamativos passos de roda traseiros, os farolins traseiros com três barras, a sua enorme distância entre eixos ou as jantes de grandes dimensões.

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Um dos aspetos que mais chama a atenção na sua carroçaria é o sistema de abertura das portas, sem fechaduras mecânicas à vista, através de um botão tátil e de um pequeno puxador físico situado na própria borda dos vidros dianteiros. Atrás, apenas um botão que liberta a fechadura e desloca a porta uns centímetros para que se possa abrir puxando pelo próprio bordo. Dispõe de chave física, mas também pode ser operado de forma automática a partir do telemóvel, através da aplicação FordPass, por Bluetooth, permitindo o acesso sem necessidade de chave. Caso não se tenha o telemóvel nem a chave para a abertura, um código numérico instalado no pilar B permite introduzir o código de abertura.

Um SUV de grande capacidade

Com um comprimento de 4,71 metros, uma largura de 1,88 m, uma altura de 1,60 m e uma distância entre eixos de 2,98 metros, transmite uma grande sensação de poderio. Assim, a capacidade interior que oferece é impressionante, já que todas as suas cotas se destacam pela amplitude. A enorme distância entre eixos permitiu situar todo o conjunto de baterias centrado entre os eixos, melhorando a distribuição de pesos e contribuindo para baixar o centro de gravidade do conjunto. Convém sublinhar que não se trata de um modelo especialmente leve, pois as variantes de tração traseira partem dos 1.969 kg, enquanto que, no caso de dispor de tração integral e bateria de alta capacidade, o valor sobe para 2.183 kg.

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Além disso, dispõe de uma mala de 402 litros, que pode chegar a uma capacidade de 1.420 se se rebaterem os encostos traseiros. Também oferece um espaço sob o capô dianteiro, com possibilidade de compartimentar o espaço e equipado com tampão de drenagem, que permite dispor de 81 litros adicionais. Como curiosidade, chama a atenção a incorporação de um botão fluorescente no interior, para permitir a abertura de emergência caso alguém fique preso lá dentro.

O interior, simples e despojado, mostra muita amplitude e facilidade de utilização. Os comandos são os habituais da família de modelos da Ford. Não oferece projeção de informação através de Head Up Display, já que o posto de condução dispõe de um simples ecrã digital panorâmico atrás do volante, no qual se mostram as informações mais relevantes e necessárias, como velocidade, consumo, autonomia ou indicações do sistema de navegação.

Eletrónica de última geração

Merece uma menção à parte o ecrã vertical de 15,5 polegadas situado no centro do tablier, semelhante ao que utiliza o Tesla, a partir do qual se mostram e se controlam as restantes funções do carro, como a navegação, o sistema de áudio, a climatização, os modos de condução, os sons que pode emitir, o computador de bordo, a indicação dos postos de carregamento próximos, etc.

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Destaca-se o bom funcionamento e a sua facilidade de utilização, já que algumas das suas funções aparecem sempre numa posição fixa, como os menus de configuração na parte superior ou os comandos da climatização e a velocidade da ventoinha na parte inferior do ecrã. O comando do volume do equipamento de áudio pode ser utilizado através de uma grande roda central situada no ecrã ou a partir do volante multifunções. Além disso, a tipografia e o tamanho dos comandos são suficientemente grandes para os ver sem necessidade de desviar a atenção da estrada.

Para facilitar a conectividade com os diferentes dispositivos eletrónicos instalou-se um sistema Sync de última geração, o dobro da potência do anterior Sync3, que permite a atuação por comandos de voz em 15 idiomas e a ligação sem fios de dispositivos Android e iOS. Além disso, tem a capacidade de atualização do software em segundo plano, sem necessidade de qualquer intervenção por parte do condutor.

A eletrónica de alto desempenho permite a capacidade de “autoaprendizagem” e a sua memorização, tendo em conta os padrões de comportamento, o tipo de condução, a orografia do percurso ou o clima, para poder afinar os cálculos de consumo e autonomia disponível.

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Dispõe de um amplo conjunto de dispositivos de segurança, ajudas à condução e sistemas de conforto, que são oferecidos como equipamento de série no Mustang Mach-E, independentemente do tipo de transmissão ou do tamanho da bateria. O controlo de cruzeiro automático com sistema de paragem e arranque, o sistema de manutenção de faixa, o alerta de tráfego cruzado, o assistente de pré-colisão, o dispositivo de reconhecimento de sinais de trânsito, o de travagem pós-impacto, o sistema de luzes LED adaptativas ou os bancos revestidos a couro fazem parte do equipamento do modelo.

Em todos os casos o equipamento de série é muito completo, podendo ser ampliado com os pacotes Tecnológico e Tecnológico + para acrescentar elementos como o sistema de som Bang & Olufsen de alta potência e 10 altifalantes, a porta traseira com sistema mãos-livres, o assistente de estacionamento com câmara de visão 360º, os bancos dianteiros elétricos com memória até 8 posições, teto panorâmico completo, os retrovisores exteriores bicolores com rebatimento automático ou três tipos de pintura metalizada.

Dois tipos de propulsão, dois tamanhos de bateria

Na fase de lançamento são oferecidas quatro versões diferentes consoante o tipo de propulsão, traseira ou integral –com um ou dois motores– e duas opções de bateria: a standard de 75,7 kWh de capacidade total e 288 células (68 kWh de capacidade útil) ou a de autonomia alargada, de 98,7 kWh e 376 células (88 kWh de capacidade útil). Nas versões com tração às quatro rodas, monta um motor adicional instalado no eixo dianteiro, sem ligação mecânica ao traseiro.

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As versões de propulsão traseira com bateria de 75,7 kWh anunciam uma potência de 198 kW (269 CV) e uma autonomia WLTP de 440 km, enquanto que, se se optar pela bateria de autonomia alargada de 98,7 kWh, a potência aumenta para 216 kW (294 CV) e a autonomia chega aos 610 km.

Nas versões de tração integral com bateria de 75,7 kWh a potência fornecida pelos motores não varia, ou seja, mantém-se em 198 kW (269 CV), mas a autonomia reduz-se para 400 km. Pelo contrário, na variante mais completa, dotada de tração integral e bateria de autonomia alargada, a potência sobe para 258 kW (351 CV) e a autonomia permite 540 km em ciclo WLTP.

Bom comportamento

Fez-se esperar muito, mas, finalmente, pudemos sentar-nos ao volante do novo Mustang Mach-E, concretamente na versão de tração integral de 351 CV com bateria de autonomia alargada de 98,7 kWh, e a verdade é que nos deixou uma boa impressão.

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Logo ao entrar no interior, depois de abrir o carro através da aplicação do telemóvel, tudo resulta bastante familiar, pois recorre a comandos, botões e ambiente geral de outros modelos da família Ford. É fácil encontrar a posição de condução graças à possibilidade de regulação do banco e do volante.

Alguns minutos bastam para nos familiarizarmos com o espetacular ecrã central, no qual se podem fazer diferentes ajustes e regulações, e também a partir do qual se podem selecionar os modos de condução: “Active”, “Whisper” e “Untamed”, que modificam os parâmetros de atuação do acelerador, firmeza da direção e calibração do ESP, ao mesmo tempo que alteram o ambiente interior com iluminação ou emulação do som de um motor de combustão. A partir deste mesmo dispositivo também se controlam a climatização, o telefone, a navegação ou o equipamento de som. Além disso, pode ativar-se a função “one pedal”, que permite uma maior capacidade de retenção ao levantar o pé do acelerador, para agilizar a condução e aproveitar melhor a capacidade de regeneração de energia. A sua utilização não é brusca nem na estrada nem na cidade. Mais ainda, é especialmente prática para circular por zonas sinuosas em estrada, pois evita a necessidade de travar em muitas ocasiões e ajuda a “segurar” o carro à entrada da curva, já que o peso do conjunto é elevado e as inércias notam-se com clareza.

https://www.youtube.com/watch?v=NG3urELabEo

Como já é tradição nos últimos produtos da marca americana, o manuseamento do seletor de velocidades está confiado a um comando rotativo situado na consola central, que permite um uso rápido e intuitivo. No seu interior dispõe de um botão “L” que permite uma maior capacidade de retenção para aproveitar a energia nas descidas.

Em qualquer dos modos de funcionamento proporciona uma aceleração espetacular, muito linear e progressiva, agradável e quase sem ruído, pois a maior parte do nível sonoro provém do rolamento dos pneus.

É fácil de conduzir, pois, embora se notem o peso e as inércias quando se conduz a ritmos vivos, tanto os travões como a direção ajudam a escolher a trajetória desejada com bastante precisão. Também as suspensões contribuem para proporcionar bastante conforto aos ocupantes e capacidade suficiente para controlar as oscilações da carroçaria em mudanças fortes de apoio. Circulando por estradas com piso irregular, não são secas e transmitem bastante confiança ao condutor.

Em matéria de consumo é especialmente notável o valor indicado pelo computador de bordo, que não ultrapassou a média de 20 kWh/100 km num percurso rápido e exigente, um valor especialmente baixo para um modelo de tais dimensões, potência e peso. Parece aproveitar muito bem a capacidade de recuperação, mas teremos de esperar um pouco para confirmar este número quando tivermos oportunidade de fazer um teste mais exaustivo.

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Em qualquer caso, pareceu-nos um modelo muito interessante, não só pela relação qualidade-preço, equipamento, tamanho, desempenho e preço, mas também pelas possibilidades de utilização como modelo para uso diário, com capacidade para viajar com alguma folga e possibilidade de fazer carregamentos rápidos durante a viagem.

Alta tensão

Para carregar as enormes baterias que o Mach-E oferece há várias possibilidades, já que de série se inclui um carregador doméstico através de conector Schuko-Mennekes de 2,3 kW, além de um cabo Mennekes-Mennekes de 32 A. Logicamente, com o primeiro dispositivo a operação pode tornar-se interminável, pois um carregamento completo poderia levar mais de 40 horas. Mas também se oferece a possibilidade de utilizar uma Wallbox ligada em trifásico a 11 kW, o que permitiria reduzir esta operação para cerca de 9 horas. Também pode abastecer-se em postos de carregamento rápido com potências até 115 kW nas versões de bateria standard e até 150 kW nas de autonomia alargada.

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Através do próprio sistema de navegação pode aceder aos postos de carregamento públicos mais próximos e conhecer as estações recomendadas para carregar em função do destino selecionado e da autonomia, além de permitir o uso da rede FordPass Charging Network, que conta com mais de 155.000 estações na Europa. Também pode aceder à rede IONITY com condições tarifárias preferenciais para carregamentos rápidos. A Ford anuncia que, na versão de tração traseira e bateria de autonomia alargada, que carrega a uma potência máxima de 150 kW, se podem acrescentar até 119 km de autonomia em apenas 10 minutos numa estação de carregamento rápido em corrente contínua.

Versão GT, ainda mais desportiva

Se as versões que chegarão em breve não lhe parecerem suficientemente potentes, no final do ano será colocada à venda uma variante mais desportiva, denominada GT, exclusivamente em configuração de tração às quatro rodas e bateria de 98,7 kWh, capaz de fornecer uma potência máxima de 358 kW (487 CV) e um binário máximo de 860 Nm. Anuncia uma autonomia até 500 km em ciclo WLTP e um desempenho impressionante, com aceleração de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos. Esteticamente apresenta algumas modificações na carroçaria, como para-choques, difusores traseiros, jantes de 20 polegadas e grelha dianteira específica iluminada. Inclui também travões de maiores dimensões com pinças Brembo Flexira de quatro pistões e suspensão adaptativa MagneRide.

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Preço sem concorrência

Causou uma verdadeira surpresa o preço anunciado pela Ford para o seu novo modelo desportivo, pois fica muito perto do de alguns compactos elétricos bastante menos potentes, como o Hyundai Kona, o Kia Niro ou o Volkswagen ID.4, e claramente abaixo de alguns rivais de marcas Premium, como o Audi e-tron 50 quattro, o BMW iX3 ou o Jaguar i-Pace EV 400.

Para poder entrar na faixa de preços que permite aceder aos planos de apoio Moves, a Ford lançou uma campanha de desconto especial, que afeta apenas a variante de propulsão traseira e bateria de 75,7 kWh, pelo que o preço fica em 45.000 euros. No caso da versão AWD com bateria de autonomia alargada de 98,7 kWh e 351 CV de potência, o preço sobe para 64.900 euros.

Ficha técnica deste carro


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