Novo motor TSI para o VW Golf: gasolina com consumo de diesel
Volkswagen apresenta uma nova versão do motor 1.5 TSI, que estreia no Golf. Com turbo de geometria variável e desativação de cilindros, debita 130 CV e oferece consumos próprios de um motor diesel.
Desde que foi lançado no mercado no Volkswagen Golf com o motor 1.5 TSI de 150 CV, tenho defendido que este motor, que outros modelos do grupo Volkswagen também utilizam, é simplesmente o melhor da sua categoria em potência, elasticidade, prazer de condução e também em consumos. Mas essa honra vai durar pouco.

Agora, Volkswagen confirma uma nova versão do motor 1.5 TSI para o Golf que anuncia 130 CV, com novas tecnologias que permitem reduzir ainda mais o consumo. Guarde este dado: segundo o ciclo NEDC, o consumo médio homologado do VW Golf 1.5 TSI BlueMotion de 130 CV ficaria em 4,8 l/100 km. Isto corresponde a emissões de CO2 de 110 g/km. Se tomarmos o valor de consumo extraurbano, a homologação fica em 4 l/100 km. Com motores como este, não são precisos muitos motivos para nos esquecermos aos poucos dos diesel.
Desativação de cilindros e turbo de geometria variável
É claro que os milagres não existem, e para obter este resultado só há um caminho: a tecnologia. Em relação ao 1.5 TSI de 150 CV, a nova versão BlueMotion de 130 CV mantém o sistema ACT de desativação seletiva de cilindros. Este sistema faz o motor funcionar em modo “dois cilindros” quando se circula com baixa carga no acelerador, entre 1.400 e 4.000 rpm e a velocidades até 130 km/h.

Ao contrário do 1.5 TSI de 150 CV, a nova versão de 130 CV utiliza um processo de combustão diferente, conhecido como “ciclo B” ou “ciclo Miller”. A vantagem deste sistema é que reduz o curso de compressão em relação ao de expansão, ao atrasar o fecho da válvula de admissão. Para não complicar muito: o objetivo é poder aumentar a taxa de compressão sem que se produza detonação do combustível.
O novo motor 1.5 TSI ACT de 130 CV com turbo de geometria variável e micro-hibridização será integrado gradualmente noutros modelos do Grupo Volkswagen
E não fica por aqui. Outra tecnologia nova neste motor é o turbocompressor de geometria variável, uma solução muito difundida em motores turbodiesel, mas que apenas algumas marcas (como Porsche) usam em motores a gasolina, em modelos muito desportivos e para motores de alto rendimento. A Volkswagen parece ter encontrado a chave para eliminar os problemas que os turbocompressores de geometria variável apresentam com as altas temperaturas dos gases de escape nos motores a gasolina.
Um Volkswagen Golf “micro-híbrido”
Por último, o novo motor 1.5 TSI de 130 CV do Golf também inclui “micro-hibridização”. Mas não o confunda com um sistema híbrido. Nas versões com caixa DSG de dupla embraiagem, o Golf 1.5 TSI BlueMotion pode desligar o motor quando se circula em modo de marcha por inércia, ou seja, ao levantar o pé do acelerador. Neste caso, o sistema de gestão desliga o motor e desacopla-o da transmissão, pelo que o carro se move com “zero emissões”.

Para poder fazer isto, o sistema elétrico de 12 volts conta com uma bateria de iões de lítio que recupera energia nas travagens e se encarrega de fornecer a energia necessária para que funcionem tanto a direção como o servofreio, que são elétricos. Segundo a Volkswagen, esta tecnologia permite reduções de consumo de até 0,4 l/100 km.

Resta agora ver como a incorporação de todas estas tecnologias afeta o preço final do Volkswagen Golf com este motor, que, se não houver uma reestruturação da gama (pouco provável), se situaria em potência entre o 1.4 TSI de 125 CV e o 1.5 TSI de 150 CV. A sua chegada está prevista para antes do verão.
Ficha técnica deste carro
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