O roubo de catalisadores, cada vez mais frequente: assim podes evitá-lo
Já foste vítima ou ouviste falar do roubo do catalisador do carro? Contamos-te porque é que esta peça é tão cobiçada pelos ladrões, como a retiram e o que podes fazer para o evitar.

Infelizmente, cada vez ouvimos com mais frequência notícias relacionadas com bandos organizados dedicados ao roubo de catalisadores de carros, ou sabemos de algum conhecido afetado. Só para dar um exemplo, recentemente foram detidas sete pessoas em Málaga e Sevilha, por mais de 50 ações deste tipo. E isto não acontece apenas no nosso país, onde desde janeiro de 2021 até agosto de 2022 chegaram a tramitar-se mais de 3.600 processos de sinistro por roubo de catalisadores.
Também foi notícia nestes últimos dias o desmantelamento de uma rede dedicada ao roubo de catalisadores nos Estados Unidos, com detenções na Califórnia, Nova Jérsia, Minnesota, Nova Iorque e Virgínia. Um total de 25 pessoas integravam este bando a nível nacional, que teria conseguido comercializar os catalisadores roubados obtendo mais de 545 milhões de euros.
Porque é que se roubam os catalisadores?
Os catalisadores são dispositivos colocados no sistema de escape dos veículos com motores de combustão, para reduzir as emissões poluentes, transformando os gases de escape através de uma reação química.
Para que esta reação se produza, o catalisador contém uma série de metais valiosos no seu interior, entre os quais se encontram o paládio, a platina ou o ródio. Estes metais valiosos, e não o catalisador em si para o usar como peça sobresselente, são o objeto dos ladrões, que os comercializam no mercado negro.
Há que ter em conta que o preço por grama de alguns destes metais supera mesmo o do ouro. E um catalisador padrão contém cerca de dois gramas de paládio, entre três e cinco gramas de platina e alguns miligramas de ródio. Se tiveres em conta que o preço por grama do paládio anda pelos 30 euros, o da platina duplica esse valor, e o ródio multiplica o preço da platina mais de doze vezes, perceberás melhor porque é que os catalisadores são as peças dos carros que mais se roubam atualmente.

Além disso, ao contrário de um veículo, que tem a sua matrícula e o número de quadro, o catalisador não tem qualquer tipo de código ou número de identificação que permita rastreá-lo. Por isso, e pela facilidade com que se roubam, tornaram-se um alvo muito cobiçado pelos ladrões.
Atenção, não confundas o catalisador com o filtro de partículas. Os filtros de partículas são um complemento adicional ao catalisador, que funcionam de outra forma e não contêm os metais valiosos que os catalisadores levam. Também são alvo de roubo, mas muito menos, pois neste caso são retirados para serem introduzidos no mercado negro de peças pirata.
Como se rouba o catalisador?
À força de rebarbadora. Assim mesmo, como lês. Normalmente o acesso ao catalisador faz-se pelos fundos do veículo. Os «gatunos» só precisam de uma ferramenta elétrica de corte potente, como uma serra para metais ou uma rebarbadora, para fazer dois cortes no troço do tubo de escape onde se localiza o catalisador. Nos centros de tratamento de veículos em fim de vida fazem-no com potentes tenazes pneumáticas, mas não penses que os ladrões demoram muito mais com uma boa rebarbadora elétrica…

E não costumam complicar-se muito, porque, como já dissemos, a peça completa normalmente não se destina a ser revendida no mercado negro como peça de substituição «pirata». Por isso, costumam «cortar pelo mais fácil», nunca melhor dito, e a «operação» leva apenas uns segundos. Normalmente, os catalisadores roubados entram num comércio ilegal e chegam a empresas que se encarregam do seu tratamento para extrair os metais valiosos, que depois passam ao mercado negro.
Como posso perceber que me roubaram o catalisador?
Acredita, quase de imediato, assim que arrancares, vais dar-te conta. Pensa que ao cortar o catalisador e deixar o escape livre, o som será muito forte e característico. Além disso, logo se acenderá uma luz de avaria ou falha no painel de instrumentos, ao falharem os sensores associados ao catalisador. Se tiveres o azar de isso te acontecer, deves parar o motor e chamar o reboque, e não tentar circular com o carro até à oficina.
Quais são os catalisadores mais roubados?
Os ladrões costumam centrar a atenção nos carros que têm mais catalisadores, os que têm catalisadores maiores… ou naqueles em que é mais fácil e rápido retirar o dispositivo antipoluição, como as grandes pick-ups. Nestes veículos, muito populares no mercado americano em versões com grandes motores a gasolina que costumam ter mais de um catalisador, é mais fácil meter-se por baixo devido à sua grande altura ao solo.

Ultimamente também se associam muito os roubos de catalisadores a veículos da marca Toyota e Lexus. Na realidade, qualquer catalisador de qualquer carro híbrido a gasolina é cobiçado pelos ladrões, porque contém mais materiais valiosos do que os de um carro com motor de combustão convencional. Mas os roubos a Toyota e Lexus «fazem mais barulho» porque são marcas que têm muitos carros híbridos no mercado. Além disso, muitos deles são SUV, como o Rav4, nos quais é mais fácil para os ladrões entrar por baixo para manobrar.
A seguradora cobre o roubo do catalisador?
Normalmente, se tiveres uma apólice de seguro de danos próprios, ou uma de terceiros com roubo, o seguro costuma cobrir o roubo do catalisador. Em qualquer caso, não está de mais verificar as «letras pequenas» da tua apólice, ou ligar à seguradora para te informares.
Quanto custa instalar um catalisador novo se mo roubarem?
Como cada modelo de carro leva um catalisador diferente, e existem muitíssimas referências, o preço varia muito em função do tipo de catalisador e do veículo. Tem em conta que os carros a gasolina começaram a usar catalisadores já em meados ou finais dos anos 80.

Mas já te aviso que é um dispositivo caro: instalar um novo pode custar entre 1.500 e 3.000 euros. E há que ter em conta que, dependendo dos estragos que os ladrões possam ter causado, partindo cabos, ligações ou suportes para levar a cobiçada peça, o custo total da montagem de um catalisador novo pode superar claramente essa cifra. Além disso, há carros que têm duas linhas de escape e um catalisador em cada uma delas.
Conselhos para evitar que te roubem o catalisador
A primeira medida a tomar para evitar que te roubem o catalisador está relacionada com a forma como os ladrões procedem para retirar este dispositivo: evita estacionar em zonas isoladas ou pouco iluminadas, como terrenos baldios, polígonos industriais fora do horário de atividade, etc.

Existem placas protetoras que impedem o acesso direto ao catalisador, mas é uma medida que não se pode aplicar a qualquer carro -depende de onde esteja situado o catalisador e da forma dos fundos- e também não é cem por cento eficaz. É claro que tem efeitos dissuasores; mas uma boa rebarbadora pode acabar com a chapa de proteção em muito pouco tempo.
A Polícia também aconselha, como medidas adicionais, qualquer ação que dificulte a venda do catalisador no mercado negro, como pintá-lo com uma tinta térmica especial de uma cor muito vistosa, ou gravar no catalisador a matrícula ou o número VIN do carro.
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