A PSA quer que a fábrica de Vigo reduza os salários para poder concorrer a novos modelos

A série de carrinhas pequenas do Grupo PSA Peugeot Citroën é fabricada em Vigo há anos, mas as coisas poderão mudar desde que o português Carlos Tavares chegou à direção do grupo. Há meses anunciou que os modelos não serão atribuídos às fábricas por razões históricas, mas que se avaliará a rentabilidade de cada unidade.
E aí está o problema: a fábrica de Vigo tem de competir com a fábrica eslovaca de Trnava. Vigo conta com 7.000 trabalhadores (é a maior fora do território francês e uma das mais rentáveis do grupo), mas, claro, os salários não são tão baixos como em Trnava.
A hora em Vigo paga-se a 22 euros; na Eslováquia, a 10 euros. É verdade que, em Vigo, o salário dos novos contratos pouco tem que ver com as condições que existiam antigamente, mas, ainda assim, não parece suficiente, e a direção da fábrica sugeriu um corte salarial (bastante importante) para poder competir pela nova geração de carrinhas K9.
O diretor da fábrica de Vigo, Yann Martin, propõe: menos 3.000 euros por ano (corte de 5% no salário base), corte de 50% na paga extra, congelamento até 2019, redução de 33% do prémio de objetivos, menos 10% de antiguidade e corte de 50% dos complementos de trabalho noturno, terceiro turno e domingos e feriados.
Estas propostas foram rejeitadas de imediato pelos diferentes sindicatos, incluindo o Sindicato Independente de Trabalhadores (SIT). Entre os diferentes sindicatos, há quem considere que a decisão já está tomada e que apenas pretendem baratear os custos.
O braço de ferro entre o Comité de Empresa e a direção da fábrica não é simples, mas, sem dúvida, é importante garantir a fabricação das carrinhas, sem esquecer a importância da fábrica para Vigo.
O que pensam? A direção está a bluffar, como apontam algumas fontes sindicais, ou a questão é mais grave e a fábrica tem de apertar o cinto para não perder o modelo K9?
Fonte: elaboração própria, El País
Foto: Motorpasion.com
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