Pablo Martínez Masip recebe o galardão 'O Abraço de Manolo'

Rafa Guitart    @GuitartRafa    23 December 2025     8 min.
Pablo Martínez Masip recebe o galardão 'O Abraço de Manolo'

O vice-presidente de produto e marketing da Kia Europa é reconhecido pelos jurados do Car Of The Year (COTY) em Espanha, como uma das personalidades mais relevantes do panorama automóvel internacional.

O prémio ‘Abraço de Manolo’, instituído em memória do nosso querido colega Manolo Doménech pelos jurados espanhóis do Car Of The Year: Xavier Pérez (El Periódico), Rafael Guitart (Highmotor), Félix Cerezo (El Mundo), Pere Prat (La Vanguardia), Pedro Martín (Vocento) e Juan Ignacio Eguiara (Autopista). Juan Carlos Payo, responsável de mobilidade da Atrevia, ex-membro do COTY e promotor do prémio, é o secretário-geral.

Já consolidado como um galardão de referência no panorama automóvel espanhol, o Prémio “Abraço de Manolo” recorda todos os anos que, para além dos marcos ou dos resultados, o que perdura é o impacto humano. Esse legado — o mesmo que Manolo Doménech deixou entre colegas, jornalistas e profissionais da indústria — continua a ser o coração desta distinção.

Todos os membros do júri espanhol do COTY decidiram reconhecer, nesta ocasião, o trabalho profissional de Pablo Martínez Masip, vice-presidente de produto e marketing da Kia Europa, pela sua brilhante trajetória no setor automóvel.

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Este prémio, que celebra doze edições, distinguiu personalidades da envergadura de Rafa Nadal, Carlos Sainz, José Muñoz, Emilio Herrera, José Vicente de Los Mozos, Luca de Meo, Walter de Silva, Alejandro Mesonero, Fermín Soneira, Agustín Martín, Rafael Prieto e Enrique Lorenzana

Pablo Martínez Masip, vice-presidente da Kia Europa, com mais de 20 anos de experiência no setor, trabalhou em empresas como BMW, Mercedes-Benz, Ford e Chrysler, e acumula uma trajetória de 15 anos na Kia nos departamentos de Product Planning, Pricing e Connected Services para a Europa, até à sua promoção a Global Vice President of Customer Experience e, posteriormente, a Vice-Presidente de Produto e Marketing na Europa.

Pablo conta com entusiasmo como começou neste apaixonante setor: “Desde os dois anos que sabia que queria trabalhar com carros. Tinha isso muito claro. Sempre desenhei carros, brinquei com carros. Estudei engenharia mecânica porque queria trabalhar em carros e fui estudar para Munique. Naquela altura a minha marca preferida era BMW. Queria trabalhar na BMW. Fiz estágios na BMW. Foi a minha primeira experiência no mundo automóvel, e no início como engenheiro. Não conhecia bem como funciona uma empresa de automóveis e, com as minhas primeiras experiências, comecei a ver que tipo de departamentos existem na empresa e que há product management, marketing, produção, engenharia. Fui-me concentrando nas coisas que mais me agradavam. E embora hoje seja responsável por mais coisas, sinto-me identificado com o tema do planeamento de produto. É o que mais me interessa. A experiência de ter trabalhado em engenharia, em produção, em áreas técnicas, também me ajuda profissionalmente a entender como trabalha um engenheiro, como se produz um carro, quais são as limitações, quais são as possibilidades…”

“Ver que profissionais tão importantes do setor foram capazes de reconhecer o meu percurso é algo que realmente não esperava de forma alguma. Sinto-me super emocionado por receber esse carinho da vossa parte. Já não se trata apenas de avaliar resultados ou de conseguir algo; isto tem a ver com relações humanas. E ter esse carinho da vossa parte é quase mais importante do que os próprios resultados empresariais. É algo que realmente me toca o coração. Ver o meu nome escrito ao lado desses gigantes dá-me um certo vertigem, porque as pessoas que receberam este prémio são realmente incríveis. Agora sinto quase ainda mais pressão para continuar a avançar, para obter melhores resultados e para conseguir que os nossos produtos e os clientes fiquem satisfeitos com a Kia”, declara Pablo Martínez.

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Kia, uma empresa com fundamentos sólidos

“A empresa sempre teve uma estratégia bastante clara. Quando cheguei, há quinze anos, a primeira estratégia da empresa era ter qualidade, conseguir que todos os produtos que lançamos no mercado tivessem um nível altíssimo de qualidade. Criámos a famosa garantia de sete anos e conseguimos ganhar a confiança dos clientes. Desse ponto de vista, poucos anos depois contratou-se certas personalidades muito importantes, como Peter Schreyer, que fizeram com que o design dos carros fosse incrível, para tentar que os clientes não comprassem o carro apenas por um motivo mais racional, que é a qualidade, mas que também sentissem uma atração mais emocional pelo produto. E obviamente isso deu-nos resultados fenomenais. No passo seguinte, além de ter qualidade e design, passou-se a melhorar a tecnologia, a ser líderes em todos os temas de eletrificação e numa coisa que chegámos a ela de forma interna. Dizíamos sempre que, ao início, éramos de alguma forma uns fast followers. Então deixámos de olhar para o que os outros faziam para começar a ter uma forma de pensar única e diferente da do resto. Já fomos first movers. E é quando começámos a pensar em carros para eles. Carros que, de alguma forma, ninguém tinha pensado antes. Fomos os primeiros a lançar carros desse estilo. Essa é a progressão que tivemos: começar pela qualidade, o design, a tecnologia. Estaremos sempre na fronteira do que vamos fazer, que seja novo, que seja diferente, que ninguém tenha feito. Antes o mundo movia-se a uma velocidade mais lenta e agora o desenvolvimento é cada vez mais e mais rápido”.

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Não só produto

“Agora é importante, em si, a parte do produto com toda a eletrificação. O produto é um fator muito importante, mas também tudo o que está à volta do produto. A rede de carregamento, a facilidade que o cliente tem para operar o veículo, os serviços que existem à volta do produto para que seja uma experiência”.

“As marcas chinesas têm avançado muito depressa, têm o mercado interno maior do mundo e, do ponto de vista do planeamento de produto, temos de ver as coisas que eles estão a fazer bem, comparar com o que nós estamos a fazer e, se há coisas que eles fazem melhor, tentar ver não o que estão a fazer agora, mas sim o que vão fazer. No fim de contas, é uma corrida com os chineses, com os europeus, com os japoneses, com qualquer marca”.

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Estratégia de futuro

“Temos uma visão estratégica de onde queremos estar em dois mil e trinta e cinco. E acho que os fatores mais importantes são o crescimento, por um lado: continuar a crescer na Europa, mas também de forma sustentável. De alguma forma crescemos nos últimos quinze anos, e o plano para os próximos dez anos é continuar a crescer. Talvez não de forma tão rápida como nos últimos quinze anos, porque já chegámos a uma quota de mercado em que não é possível continuar a crescer a essa velocidade. Somos muito flexíveis e temos uma direção para onde gostaríamos de ir. Mas se a União Europeia decidir que vamos mudar e seguir noutra direção, adaptar-nos-emos, e adaptar-nos-emos mais depressa do que ninguém, e lançaremos os produtos adequados para o mercado. Temos um plano bastante detalhado, como todas as empresas.

A forma de pensar na Coreia é muito pragmática. Não se gasta tempo com coisas que não se podem mudar. Se algo muda, não se fica a queixar-se de que fizeram isto ou aquilo. Se algo muda, o importante é ver o que temos de fazer para otimizar o nosso resultado com base no que mudou. Não devemos perder tempo a queixar-nos do que disseram ou fizeram, mas sim concentrar-nos no que há a fazer. Vamos ver como otimizamos os nossos processos e o nosso produto para obter o melhor resultado com o que temos.

Na minha opinião pessoal, acho que vamos manter por mais tempo os carros mais convencionais, tipo combustão, híbrido e plug-in híbrido, bastante mais tempo do que estamos a pensar agora. Há muitas condições que tornam a eletrificação mais viável num lugar ou noutro”.

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Eletrificação, solução de continuidade

“Quando tens clientes que compram um carro elétrico pela primeira vez, em geral valorizam muito mais a autonomia. Quando tens clientes que conduzem carros elétricos pela segunda vez, valorizam mais a velocidade de carregamento. Por isso, neste momento acho que a autonomia é mais importante de agora a cinco anos. Acho que a velocidade de carregamento vai ser mais importante. E isso também tem a ver com o facto de a rede de carregamento rápido não ser tão grande.

A velocidade de carregamento que temos nos nossos carros é boa, mas o que realmente é importante é a saúde das baterias: depois de cento e cinquenta mil, cento e sessenta mil quilómetros, temos a maior saúde de baterias de qualquer marca”.

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