Mini Cooper S E Countryman All4: o Mini híbrido tem tudo

Antonio Roncero    @roncero_antonio    3 January 2019     13 min.
Mini Cooper S E Countryman All4: o Mini híbrido tem tudo

O primeiro Mini híbrido plug-in, o Cooper S E Countryman, joga em três frentes: carroçaria SUV, desempenho desportivo e etiqueta ZERO. E, para ser sincero, faz isso muito bem.

Embora estejam a começar a chegar, ainda não há no mercado muitos SUV híbridos plug-in. E nenhum como o Mini híbrido, o Mini Cooper S E Countryman All4.

O mais vendido atualmente é o Mitsubishi Outlander PHEV. E entre os lançamentos mais recentes encontramos o novo Kia Niro Hybrid HEV. Os restantes SUV híbridos plug-in são modelos Premium de gama alta, como o Audi Q7 e-tron, os Volvo XC60 e XC90 T8, o Range Rover Sport PHEV ou o Porsche Cayenne E-Hybrid.

Mas o Mini Cooper S E Countryman All4 não tem rivais diretos. E não os tem porque não há carros do seu tamanho, potência e preço que, além de serem híbridos plug-in –e por isso terem a etiqueta ZERO da DGT, por a sua autonomia em modo elétrico ser superior a 40 km– possam oferecer desempenho e sensações desportivas e combinem tudo isto numa atraente carroçaria SUV.

Assim é o Mini Cooper S E Countryman All4

Comecemos por fazer uma revisão das características principais do Mini Cooper S E Countryman All4. Estamos perante o primeiro Mini híbrido plug-in. Recorre a um sistema híbrido com um motor a gasolina de 3 cilindros que, juntamente com o motor elétrico, proporciona uma potência conjunta de 224 CV (165 kW) e um binário máximo combinado de nada menos que 385 Nm. O 1.5 Turbo a gasolina debita 136 CV (100 kW), e o motor elétrico fornece 88 CV (65 kW). O primeiro transmite a potência às rodas dianteiras. O segundo está situado sob o piso da mala e está acoplado às rodas traseiras.

Mini Cooper S E Countryman

Os valores homologados de consumo médio do Mini híbrido são 2,4 l/100 km e uma autonomia em modo elétrico de 41 km. Consegue acelerar de 0 a 100 em 6,8 segundos. Estamos, portanto, perante um carro capaz de correr muito… ou de gastar muito pouco, sobretudo para o nível de desempenho que oferece. Dependerá muito de como queiras conduzi-lo. Mas não te enganes: apesar da entrada em vigor da norma WLTP, os híbridos plug-in continuam a homologar valores de consumo impossíveis de alcançar em utilização real. Mais adiante falaremos disso.

Mini Cooper S E Countryman

Outros dados importantes: a sua bateria tem uma capacidade de 7,6 kWh, e está colocada sob os bancos traseiros, à frente do motor elétrico. Teoricamente pode recarregar-se em cerca de 2:30 horas num carregador tipo Wallbox com potência de 3,6 kW, e em cerca de 3:15 horas se for ligado diretamente a uma tomada doméstica.

E digo teoricamente porque durante a semana de utilização do Mini híbrido, nenhuma das vezes que o liguei em casa demorou menos de 4 horas a completar a recarga, algo que podes verificar do exterior graças às mudanças de cor no anel luminoso que rodeia a tomada.

Tração integral inteligente e 3 modos de condução

No Mini Cooper S E Countryman ALL4 não existe ligação mecânica entre os eixos dianteiro e traseiro. Mas como cada motor está ligado às rodas de um eixo, e podem funcionar de forma independente ou conjunta consoante a condução, o Mini híbrido dispõe de tração às quatro rodas.

Mini Cooper S E Countryman

Não é uma tração integral destinada a usar o carro fora do asfalto. De facto, também a altura ao solo (de apenas 165 mm), os cursos de suspensão, a sua firmeza, as cotas TT ou os pneus de série não estão pensados para isso. A tração integral funciona muito bem, mas não deverias pensar em usar este Mini para sair da estrada e circular para além do que sejam pistas e caminhos em bom estado.

A tração ALL4 tem muito que ver com o comportamento ágil do Mini Cooper S E Countryman na estrada. A unidade que gere o funcionamento do DSC (controlo de estabilidade) analisa permanentemente o estilo de condução e a aderência em cada roda, e distribui a força conforme convém. Claro que também é uma grande ajuda quando se trata de circular em estradas nevadas, por exemplo.

Mini Cooper S E Countryman

Mas lembra-te do que sempre dizemos: se vais conduzir na neve, é preferível uma tração 4×2 com pneus adequados (All Season ou de pneus de inverno) do que um 4×4 com pneus de verão. A máxima segurança terá com um 4×4 equipado com pneus com certificação de inverno.

Através do botão do sistema “eDrive” na consola central, o condutor do Mini híbrido plug-in pode selecionar três programas, para além do modo 100% elétrico. São os seguintes:

  • AUTO eDrive: é o modo selecionado por defeito. Aqui, o Mini gere automaticamente o funcionamento dos dois motores, dando prioridade à propulsão elétrica até uma velocidade de 80 km/h, somando a força do motor a gasolina quando essa velocidade é ultrapassada, ao acelerar a fundo ou se a carga da bateria descer abaixo dos 7%.
  • MAX eDrive: neste modo força-se o sistema a trabalhar em modo elétrico para aproveitar ao máximo a energia armazenada na bateria. Permite circular em modo EV até velocidades de 125 km/h, e o motor de combustão só é ativado se essa velocidade for ultrapassada ou se for exigida a capacidade máxima de aceleração.
  • SAVE BATTERY: mantém a carga de a bateria sempre acima dos 90%, para o que, se for necessário, utiliza o motor de combustão, que além de mover o carro tem de acionar o alternador de arranque para desviar energia para a bateria. Naturalmente, essa poupança de bateria paga-se com um aumento do consumo de gasolina. É um modo que quase não utilizarás… a não ser que fosse obrigatório ter carga na bateria para aceder às zonas das cidades limitadas a carros sem emissões, algo que hoje em dia parece impossível de controlar.

Independentemente do programa selecionado no eDrive, o Mini híbrido dispõe do seletor MINI Driving Modes, um comando que rodeia a alavanca de velocidades. Os diferentes programas adaptam as características da direção, a resposta ao acelerador ou o funcionamento da caixa consoante se selecione um modo mais desportivo ou mais eficiente.

Ao volante do Mini híbrido

Várias coisas chamaram-nos a atenção durante o teste do Mini Cooper S E Countryman. A primeira, que é um carro muito ágil em estradas de curvas. Isso é algo que esperarias de um Mini com o apelido Cooper, mas não tanto num carro com formato SUV como este… e com cerca de 200 kg a mais de peso do que um Cooper Countryman ALL4 não híbrido.

Mini Cooper S E Countryman

Nesta agilidade contribuem a firmeza da amortecimento, a precisão da direção e o funcionamento da tração integral, além da imediatez de resposta e das prestações que proporciona o sistema híbrido, com um impulso, se se conduz de forma decidida, próprio de carros com motores de muito mais potência e cilindrada.

De modo algum é um carro difícil de conduzir, apesar de ter reações vivas. E ao viajar em autoestrada, mantém um nível de conforto que não esperarias se primeiro o tiveres posto à prova numa estrada de montanha.

Mini Cooper S E Countryman

Que corre muito fica claro à vista das suas prestações. Descer dos 7 segundos na aceleração curta é algo que permite classificar um carro como rápido sem discussão. E o Mini híbrido é-o, embora a velocidade máxima esteja limitada a 198 km/h, muito abaixo da potência total anunciada se a compararmos com outros Mini Countryman. Isto deve-se à gestão do sistema híbrido, que desliga a “ajuda” do motor elétrico a partir de certa velocidade para proteger a duração da energia acumulada na bateria e reservá-la para quando realmente interessa: condução a baixa ou média velocidade, e ajuda nos modos “boost” quando se pisa a fundo o acelerador momentaneamente.

Mini Cooper S E Countryman

A autonomia real e o consumo dependem muito do tipo de utilização. Ultrapassar os 40 km em modo elétrico é praticamente impossível, porque também o é ficar abaixo dos 14 kWh/100 km de consumo de energia elétrica que homologa. Na realidade, o difícil é descer dos 20 kWh/100 km, o que deixa a autonomia elétrica, conduzindo com muita “finura”, em torno dos 25 ou 30 km. Aqui também influencia muito a temperatura exterior, e como utilizes o climatizador.

Mini Cooper S E Countryman

Quando se circula em modo híbrido, a diferença de resposta ao acelerador entre o programa de condução que favorece o consumo e o modo desportivo é mais que evidente. Saindo com a bateria carregada, e se procurares gastar pouco, poderás deixar o consumo médio de gasolina entre 7,5 e 8 l/100 km numa utilização mista, com um pouco de cidade, um percurso de cerca de 200 km por autoestrada e uma escapadela a uma zona de curvas, aqui ativando o modo “sport”. A autonomia não é muito grande mesmo que somes os quilómetros que podes fazer em modo elétrico, porque a instalação do motor e das baterias rouba quase 10 litros ao depósito de combustível, que fica em apenas 36 litros.

O Mini Cooper S E Countryman por dentro

O Mini Cooper S E Countryman tem algumas diferenças de estilo e funcionais em relação ao resto da gama. Naturalmente, todas têm que ver com a sua condição de carro híbrido plug-in. Para alojar as baterias foi preciso reposicionar os bancos traseiros um pouco mais elevados, pelo que se perde altura livre nestes lugares em relação às versões não híbridas. Mas continua a haver espaço de sobra, mesmo para adultos já de certa estatura.

Mini Cooper S E Countryman

Sim sente-se a falta de poder regular longitudinalmente o espaço para as pernas deslocando o banco, que aqui é fixo. Quanto à mala, passa de 450 para 405 litros, para dar lugar ao motor elétrico. Não é muita capacidade entre os SUV do seu tamanho, tendo em conta que também é preciso fazer espaço para o saco do cabo de carregamento.

Mini Cooper S E Countryman

O posto de condução requer um certo período de adaptação, principalmente pelas concessões ao design: há muitos comandos de tipos diferentes –botões, teclas, rotativos– e distribuídos por diferentes níveis, alguns deles pequenos e não de fácil manuseamento. Mas rapidamente acabas por te integrar e sentir-te confortável. A experiência de utilização muda muito consoante o ecrã escolhido, protagonista no centro do tablier. Recomendo fazer o esforço de levares o maior, de 8,8 polegadas.

Mini Cooper S E Countryman

A instrumentação do Mini híbrido inclui um apelativo sistema para ajudar o condutor a tirar partido do sistema de propulsão. Além de um indicador de potência, tem um arco dividido em segmentos luminosos que indicam a disponibilidade de energia elétrica, consoante a carga da bateria. O indicador permite ver se o sistema funciona em modo de travagem regenerativa carregando a bateria, se o motor elétrico está a auxiliar o de combustão ao acelerar a fundo, e ajuda a dosear o acelerador quando, em modo elétrico, não queremos que entre em ação o motor a gasolina.

Considerações sobre o preço do Mini híbrido plug-in

A Mini comercializa o Cooper S E Countryman ALL4 com um preço de tarifa a partir de 39.200 euros sem qualquer tipo de desconto, segundo o configurador da Mini. Neste preço inclui-se um equipamento completíssimo. Mas se queres personalizar o teu Mini, tens de pagar à parte.

Mini Cooper S E Countryman

Por exemplo, o pacote Driving Assistant tem um preço de 600 euros. Inclui assistente de luz de estrada, sistema de deteção de sinais de trânsito e a função de travagem City com aviso de peões. Se queres controlo de cruzeiro ativo, é preciso contar com este pacote e desembolsar 420 euros adicionais.

O auxílio ao estacionamento custa 800 euros, as cores de carroçaria cinzento trovão ou azul custam mais 650 euros do que o cinzento de série, as jantes de 18 polegadas custam 800 euros (há de 19 por 1.500 euros). E podes acrescentar riscas desportivas no capô (125 euros), ou o pacote Mini Yours Interior que acrescenta elementos decorativos no habitáculo por 300 euros. A tampa traseira automática representa um desembolso de 400 euros, e o equipamento de alta fidelidade assinado por Harman Kardon, 850 euros.

Mini Cooper S E Countryman

De série, o ecrã do sistema multimédia tem 6,5 polegadas. Para ter o de 8,8 polegadas é preciso optar pelo sistema opcional Mini Connected Navigation Plus, que custa 2.000 euros. Inclui carregamento sem fios de telemóveis, navegador, Mini Connected e informação de trânsito em tempo real.

Também podes recorrer aos pacotes de personalização denominados Salt, Pepper, Chili e John Cooper Works. O preço vai desde os 325 euros do primeiro até mais de 4.000 do segundo. Combinam elementos de todo o tipo: tapetes especiais, cromados, estofos em couro, jantes de desenhos diferentes, piso de mala variável, compartimentos porta-objetos… Convém pensar bem e fazer as contas.

Híbrido vs. diesel e gasolina

Um aspeto que não deixa de ser curioso no Mini híbrido é que, mesmo contando com o extra que representa a tecnologia híbrida plug-in, tenha um preço de tarifa 550 euros inferior ao do Mini Cooper SD Countryman com tração All4 e caixa automática, com motor diesel de 190 CV. Coisas do imposto de matrícula, em que o diesel paga 4,75%, ficando isento o Mini híbrido.

Mini Cooper S E Countryman

É difícil recomendar o diesel neste caso, a não ser que não tenhas onde ligar o carro para aproveitar as vantagens da sua autonomia elétrica, ou não vás entrar na cidade e o uso do carro seja para fazer com muita frequência viagens de longo curso.

Outra comparação obrigatória: o Cooper S E Countryman All4 custa “apenas” 4.000 euros mais do que o Cooper S Countryman de 192 CV, que não tem a tecnologia híbrida plug-in (e não tem etiqueta, nem ZERO nem ECO) e também não dispõe de tração integral.

Galeria de imagens do Mini Cooper S E Countryman

Ficha técnica deste carro


Comentarios cerrados