Temos um problema: a idade média do parque automóvel espanhol ultrapassa os 13 anos em média
Com uma média de 13,1 anos, o parque de ligeiros de passageiros em Espanha é um dos mais envelhecidos da Europa, onde a média fica nos 10,8 anos.

Os dados revelados pelo mais recente relatório da ANFAC são devastadores: no final de 2020, o parque automóvel espanhol era um dos mais velhos da Europa, com uma idade média de 13,1 anos. Não é que no resto do continente possam gabar-se de juventude, porque a média se situa nos 10,8 anos. Mas a situação não augura nada de bom, porque a idade média do parque espanhol aumentou mais de seis meses em relação ao ano anterior. E isto depois de já virmos de um envelhecimento preocupante, devido à crise económica.
Além disso, quase 64% dos carros que circulam pelas estradas e cidades espanholas têm mais de 10 anos. A percentagem é semelhante se nos concentrarmos nos veículos comerciais ligeiros, sobe para 67% no caso dos veículos industriais e atinge 55% no segmento dos autocarros e microautocarros.
Por cada ligeiro de passageiros novo vendem-se 1,3 carros com mais de 10 anos
Enquanto em 2020 foram matriculados em Espanha cerca de 851.200 ligeiros de passageiros novos, as vendas de carros em segunda mão com mais de 10 anos superaram as 1.116.900 unidades, o que significa que por cada carro novo foram vendidos 1,3 carros “velhos”. E isto é um grave problema com duas vertentes: a das emissões poluentes e a da segurança.

Atualmente, um veículo novo, graças a sistemas que ajudam a depurar os gases de escape, como as EGR, os catalisadores, os filtros de partículas ou o AdBlue, emite 99% menos partículas e 86% menos emissões de óxidos de azoto, segundo a ANFAC. Sem falar na diferença em segurança ativa e passiva, sobretudo com as novas ajudas à condução ou sistemas ADAS.
É preciso vender mais eletrificados… mas sobretudo abater carros velhos
A eletrificação pode ser uma das vias para reduzir as emissões no futuro. Mas, para já, embora em 2020 se tenham vendido quase 80% mais veículos eletrificados (contando elétricos e híbridos plug-in), este grupo representa apenas 0,3% do parque total de automóveis que circulam em Espanha. Por seu lado, os carros com etiqueta ECO (basicamente híbridos não plug-in, mild hybrid ou a gás) continuam a representar apenas 2,2% do parque.

Há, portanto, muito trabalho por fazer. E, ao ritmo atual, seria necessário não só vender muitos mais carros com etiqueta ECO ou CERO, o que certamente acontecerá, já que existe cada vez mais consciência ecológica e mais oferta, e a tecnologia é mais acessível. O problema é que, ao mesmo tempo, é preciso abater muitos mais veículos de “idade avançada”, e isso não me parece tão fácil. Os dados da ANFAC deixam claro que as metas de descarbonização definidas pelo setor só seriam possíveis se fossem retirados de circulação 19 milhões de carros usados de idade avançada e se vendessem 13 milhões de carros “CERO”, ou seja, híbridos plug-in e elétricos.
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